sábado, 19 de outubro de 2013

100 Anos do Poetinha


O "poetinha" que de miúdo nada tem, sua genialidade antevem qualquer nomenclatura. Aquele moço Bossa Nova com o copo de Whisky na mão e um mundo de amores no coração. Depois dele Ipanema nunca mais foi a mesma, o que diga então a garota do corpo dourado? Vinícius eternizou seu balançado. O poeta de mesa de bar, de orla de praia, de brisa de mar. O peta dos amores, das bebidas, das belas meninas. Vinícius provou que o amor é lindo, é frágil, é voraz e imortal, ardente e fugaz. Em canções e poesias retratou a tristeza, a alegria, a eternidade e a efemeridade, sem nunca botá-las como contraditórias, pois esta a vida já a é. 
Ah, se todos fossem iguais a você Vinícius... Mas como não há nada sem separação, você se foi. A morte, angústia de quem vive, te alcançou. Porém. você ainda vive em suas poesias... Que seja eterno enquanto dure (e você ainda dura).
Mas como é melhor se alegre do que ser triste, hoje vamos celebrar, celebrar in memoriam de um grande talento, de um grande poeta. Parabéns pelo centenário querido poetinha, um brinde a você que possuía um amor sem mistério e sem virtude, mas que devorava a alma. A você que partiu de repente, não mais que de repente. 
E por falar em saudade, graças a ti, estou aqui berçando versos de saudade imensa. Como eu, muitos se inspiraram e ainda se inspiram em ti. Um brinde a você que nos ensinou a amar.


(Luíza Gallagher)

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Largo Tudo Se A Gente Se Casar Domingo






-Sim - ouvi minha voz rouca e vacilante concordar com a maior loucura da minha vida.

Não vou mentir, eu estava com muito medo. Minhas mãos trêmulas denunciavam o meu nervosismo. Não me leve a mal, mas sempre fui uma boa garota, talvez nenhuma filha perfeita, mas não tirava notas ruins na época do colégio e nunca me meti em confusões, mas aquilo... 

Olhei para ele e ali estava tudo o que eu sempre sonhei. O sorriso mais lindo do mundo, o olhar... Ah, a intensidade daquele olhar me inunda de certezas. A minha mente grita “É ele”, e eu apenas sorrio.

Uma voz grave a minha frente me tira do devaneio, fico surpresa por ter esquecido nesses poucos segundos que nós não estávamos a sós.

-Eu os declaro marido e mulher. – disse o padre, confirmando o que o meu coração já sabia, aquele homem era meu e eu era dele.

-Pode beijar a noiva.

Meu coração quase explodiu com o toque daqueles lábios nos meus, meu marido.

Saímos da capela tropeçando na alegria que transbordava de nós dois.

-Meu pai vai nos matar! – eu constatei alarmada. Ele apenas sorriu e disse com uma inacreditável simplicidade:

-Ele não precisa saber por enquanto, nós não vamos voltar mesmo. – me deu uma piscadela displicente que combinada com aquele sorriso torto formava a perfeita imagem de um moleque travesso ou de um doce cafajeste. 

-Viver em Las Vegas? – duvidei.


-Viver de amor na terra das fantasias, aqui tudo é possível, querida! – ele me corrigiu. Pegou em minha mão, beijou minha aliança e sorrimos. Eu lhe lancei um olhar provocante e o puxei para dentro do primeiro cassino.


(Luíza Gallagher)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Guerreiros do Quadro Negro

Os desafios enfrentados pelo professor e a esperança no futuro





No dia 15 de outubro é comemorado o Dia do Professor no Brasil. Nessa mesma data no ano de 1827, Dom Pedro I decretou a criação do ensino elementar no país, porém apenas 120 anos depois desse decreto é que começamos a comemorar o Dia do Professor por aqui. 

O profissional da educação é marcado pela sua importância e também pela falta de reconhecimento que recebe. Com salários baixos e por vezes condições precárias de trabalho, luta com bastante dificuldade para mudar a situação educacional do país. Ana Cristina Bezerra, professora há 17 anos, aponta também a ausência de incentivo à capacitação e de atualização acadêmica como um dos grandes problemas da educação. Segundo ela, a falta de apoio desmotiva os profissionais da área. 

Falta de apoio também é o que Fábio Costa, de 22 anos, sentiu ao decidir seguir a carreira de professor. “Quando contei para o meu pai o que eu planejava fazer ele ficou louco. Disse que era profissão de mulher e que eu ia morrer de fome com o salário.” Conta o estudante de letras.

O medo com relação às finanças infelizmente é uma realidade da profissão. De acordo com uma pesquisa que visa traçar o perfil do professor, realizada pela UNESCO em 2004, a grande maioria dos docentes tem renda familiar situada entre 2 a 10 salários mínimos. Arnaldo Niskier, Doutor em Educação pela UERJ, mostra grande preocupação com esse problema: “Os nossos professores, em todos os graus, recebem salários miseráveis. Como é que se vai mudar a face do país sem professores e especialistas estimulados, com salários compatíveis com a dignidade humana?"

Porém mesmo com todas as dificuldades, a maioria dos profissionais permanece bastante confiante em dias melhores. A professora Ana Cristina Bezerra declara que o amor ao ato de educar é o grande estimulo a seguir na carreira. “O ato de ajudar na formação de um cidadão mais consciente e capaz de transformar a sociedade, para que possam pensar mais no coletivo é o que me motiva.” Fábio Costa faz coro: “A grande motivação que tenho em trabalhar como professor vem do fato de ter sempre sonhado em mudar o mundo, e o ato de ensinar, de mudar aquelas crianças é de certa forma um ato de mudar um pouco do mundo. Me sinto um verdadeiro guerreiro do quadro negro ao pensar que estou fazendo o meu papel para termos um mundo melhor”.


(Luíza Gallagher)

sábado, 12 de outubro de 2013

Dia das Crinças






Sim, essa da foto era sou eu. Hoje, dia das crianças, momento em que devemos relembrar uma época repleta de tazzos, tomagoshis, CDZ, Dragon Ball, Xuxa, É o Tchan, barbies, massinha, Sandy e Junior, Família Dinossauro, Pega-pega, Pique esconde, amarelinha, bolinha de gude, pipa, Chiquititas, Doug, Pokémon, Figurinhas, casa dos amigos, desenhos no cinema, teatro infantil, campeonato de iô-iô, hora do recreio, dancinhas coreografadas, músicas infames (né Lacraia), pipoca e sessão da tarde, passeios pro parque, brigadeiro com os amigos, pular corda, legos, desenho animado o dia todo, bichinhos de pelúcia, giz de cera, power rangers… Época boa, infância passada e sempre que possível resgatada. Nesse dia desejo que todas as crianças tenham dias tão maravilhosos como eu tive e que todos os adultos revivam sempre que possível um pouco dessa infância. Feliz dia das crianças a todos! 
(Luíza Gallagher)

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sexta 13



"Sexta-feira 13, monstros, azar, medo, mitos, superstições…
A fantasia toma conta e o filme de terror se faz  
Não na realidade e nem só na ficção, mas em nossas imaginações.
A mente cria monstros
O suspense cria o terror interno
E nesse emaranhado de emoções o mito do dia do azar se faz.”

(Luíza Gallagher)

terça-feira, 23 de julho de 2013

Anna e o Espelho



Anna estava mais uma vez trancada em seu quarto sozinha, ali diante do espelho pensava: "O que há de errado comigo?". Anna sempre se sentia sozinha, era tímida, coitada. "Talvez o problema seja a timidez, as pessoas não gostam de mim por ser tímida!"
Deitou na cama e caiu no sono, satisfeita por detectar seu defeito. No dia seguinte se esforçou, sorriu para todos, desejou bom dia, estava disposta  à largar a maldita timidez. Nada adiantou, as pessoas ainda se mantinham longe da pobre menina.
Com lágrimas nos olhos o reflexo de Anna a encarava do outro lado do espelho: "Por quê?", ela perguntava entre soluços.
Anna cresceu sozinha, por toda sua vida todos estavam demasiadamente ocupados para se darem conta dela. Na escola era aquela quieta no fundo, se faltava aula ninguém percebia. Passava seu tempo encolhida no canto, não adquiriu o talento para socializar. Excluída, era sempre a última a ser escolhida para o time de educação física, quando cansava era só sair da quadra que ninguém notava.
A menina chegou a passar algum tempo acreditando que era invisível, "Sim, só podia ser, está então explicado, ninguém é capaz de me ver!". É claro que essa teoria se desfez depois de alguns meses.
Apesar de distante, Anna tinha muito apego por todos, ela desenvolveu uma estranha carência que era saciada ao observar as pessoas ao redor. A menina podia nunca falar com ninguém e ainda assim gostar, se apegar ou odiar os outros. 
É claro que ao longo do tempo Anna conheceu pessoas, é claro que trocou algumas palavras e viveu momentos normais. Mas no fim, todos sempre a largavam, e lá ia Anna chorar em frente ao espelho. "São meus olhos, eles são castanhos... Se fossem azuis talvez as pessoas não me abandonariam!", mais uma vez Anna inventava uma desculpa qualquer para explicar sua solidão.
No dia seguinte ao se olhar de perto ela perceberia que a culpa não eram dos olhos, não, pessoas de olhos castanhos têm amigos. Talvez a culpa seja da pouca altura, sim, tão baixinha que passava despercebida... Quem sabe a culpa seja do nariz, nossa como ele é estranho! Não, não, com certeza do cabelo, onde já se viu alguém ter amigos com esse cabelo desgrenhado?
Entre uma desculpa e outra Anna sofria sem saber o porquê das pessoas sempre irem embora. Começou a achar que ela era chata, ou gorda, talvez muito magra, ou sem graça, com certeza era desinteressante.
Hoje, mais uma vez, lá estava Anna em frente ao espelho. Diferente das outras vezes, seu reflexo sorriu, a menina olhou atônita, "Um sorriso?". O reflexo então lhe disse: "Ora pequena, não há nada de errado contigo, as pessoas é que são defeituosas. Te abandonam por um erro delas. Olhe só o mundo menina, uns passando por cima dos outros, levando vidas fúteis e sem nenhum sentido. Sabe como são as pessoas, bom, elas... São humanas demais, nasceram todos com defeito de fábrica, engrenagens enferrujadas. Um pouco de óleo e pronto, um dia estarão consertados. Agora enxugue essas lágrimas, você nunca será perfeita e nem ninguém será. Viva a tua vida menina, algumas poucas pessoas te cativarão e mesmo imersas em defeitos bastarão para te alegrar. Felicidade de verdade você só encontrará aí no teu peito, o resto... ah, é só o resto pequena."
Naquela noite, Anna dormiu feliz, afinal, o problema não era com ela. Anna não sabia, mas o que o espelho lhe confidenciou é aquilo que as pessoas descobrem só depois de muitos anos e de muito dinheiro gasto em terapia. Anna aos 10 anos aprendeu a ser feliz, mesmo que sozinha.

(Luíza Gallagher)

sábado, 20 de julho de 2013

Dia do Amigo


Hoje é o dia do amigo. Entre tantas datas comemorativas, muitas até sem o mínimo nexo, tem essa que realmente merece ser comemorada.
Acordei pensando em mil maneiras de iniciar um texto que estivesse à altura dos homenageados e que descrevesse pelo menos um pouco do que os meus amigos significam para mim. Porém, percebi que não importa o quanto eu quebre a minha cabeça, meu texto nunca expressará o que sinto. Como transferir pro papel sorrisos, lágrimas e até um pôr do sol após um dia na praia? Como colocar em palavras todas as brigas e reconciliações? É complicado explicar a preocupação, a ausência, a saudade, a afinidade e o amor despretensioso que ronda as amizades.
Nem mesmo o dicionário com sua infinidades de definições consegue traduzir de fato o que é uma amizade. Amigo não está no papel, não é alguém que se possa definir, amigos fogem às regras.  Alguns são de infância, outros recentes, alguns te conhecem como ninguém, outros de fazem rir até quando se deseja chorar, há aqueles que confortam o seu pranto e consolam o seu choro. Alguns você encontra todo dia, outros faz uma eternidade que não os vê, há os amigos virtuais, ou intelectuais, os racionais e os passionais. Há os modernos, os antiquados, os recatados, os emotivos e os que transformam a vida numa festa sem fim. Os conselheiros, os amorosos e até os criativos. Há amigos que às vezes não reconhecemos e outros que viram verdadeiros parceiros de vida.
Existem amigos de todos os tipos e não se tem como medir a importância de cada um. Como transformar numa poesia as pessoas que são sua vida? Amigos são uma bênção, em alguns casos um carma, ou apenas o destino… Amigo é a família que escolhemos. Com defeitos e qualidades únicas assim é formada a verdadeira amizade.

Feliz dia dos amigos!


(Luíza Gallagher)

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Últimos Flashes de Ahmed Samir Assem

Acordou com o toque distante do despertador, sentou-se na cama esfregando os olhos e afastando a preguiça matinal. Foi para o banheiro e viu sua imagem turva no espelho, cara de sono ainda. Um banho rápido e um café da manhã. pegou a câmera e seguiu para mais um dia de trabalho. Seu nome? Ahmed Samir Assem, fotógrafo. Chegou na redação do jornal, recebeu a missão de cobrir o confronto do país. Lá se foi o egípcio munido da sua câmera pra mais um trabalho rotineiro.
Gritos, protesto, tiros. Ahmed registrou tudo que seus flashes foram capazes de captar. De repente um atirador no alto de um prédio começa a mirar nas pessoas, o fotógrafo filma cada movimento do atirador. Ao fundo gritos dos atingidos, no chão, sangue derramado das vítimas. O atirador se vira, como se pousasse para a câmera, Ahmed tem um rápido flash mental de tudo o que passou nesses 26 anos de vida, o atirador o mira, o fotógrafo pensa: "Será que chegou a minha vez?", o gatilho é puxado, a imagem da câmera desfoca e Ahmed tomba no chão sem vida. Agora, os olhos sem vida de Ahmed refletem a mesma imagem turva que o espelho lhe mostrava mais cedo.
Antes do início daquela manhã um homem dormia tranquilamente e sonhava com flores, um lugar calmo, pessoas queridas, risadas infantis, brincadeiras de roda. Um homem acordou com o toque do despertador mal sabendo que era o soar de uma bomba relógio. Seu tempo estava sendo contado, aquelas eram suas últimas horas.



(Luíza Gallagher)

terça-feira, 9 de julho de 2013

Um Chato na Porta



Estava eu sozinha em casa assistindo ao meu programa favorito de TV, quando de repente toca a campainha. Levanto do sofá resmungando e sou obrigada a abrir a porta, pois não tenho olho mágico e mesmo que tivesse acho que não adiantaria em nada. Olho mágico de verdade seria aquele que conseguisse dar sumiço nas visitas indesejadas, e não apenas um buraquinho que nos deixa ver o chato que está na porta.
O pior é que a campainha sempre toca quando não queremos atender e geralmente são pessoas que realmente não queremos ver, como por exemplo, aqueles vendedores insistentes que nunca se contentam com um não. Abri a porta e lá veio um deles invadindo minha sala, me empurrando milhares de mostruários.
O pior são os sorrisos e o tom feliz que eles usam, como se eles estivessem ali para salvar a sua vida. Tentei argumentar com o homem, dizer que não precisava de nada, mas ele insistia, disse que se eu olhasse os catálogos eu iria acabar encontrando algo de que precisava. Eu falei que não queria ver nada, ele respondeu que valeria a pena, sem compromisso. Mas eu não queria ter nem o compromisso de ver, porém ele me empurrava os papéis dizendo que não custava nada, olhar é de graça.  Mas afinal, de graça não era, pois eu estaria perdendo meu tempo, e como dizem: tempo é dinheiro.
Foi então que ele começou a tentar me atrair por promoções, descontos e sorteios, olha só, eu poderia concorrer a vários prêmios, de carros e casas até adesivos e imãs de geladeira, imperdível! Eu disse-lhe que quanto mais ele insistisse mais eu iria desistir, porém algo nele me levou a crer que quanto mais eu desistisse mais ele insistiria. Tem certas pessoas que não possuem limites, não sei como conseguem certos empregos, ou será que conseguem certos empregos exatamente por não terem limites?
A minha vontade era de dar com a porta na cara dele, mas apesar de tudo, a minha gentileza não deixava. O sujeito me fez olhar mais de quinhentos catálogos e resolveu ligar uma enceradeira elétrica “último modelo” na tomada. Foi então que me aproveitei da oportunidade, mostrando que meu piso era revestido por carpetes. Achei que finalmente tinha me livrado dele, afinal, era uma boa desculpa. Mas eis que ele tinha uma carta na manga, me mostrou um aspirador de pó “de alta tecnologia”, um daqueles que eu “não poderia viver sem” e com um desconto de 50%. Eu enfim fui vencida, não havia mais armas para o combate, ele havia vencido. O olhei com a tristeza dos derrotados e ele abriu ainda mais o sorriso vendo que havia enfim quebrado minha resistência.  Ao fechar a porta corri para frente da TV, mas o programa já havia terminado...  E agora, o que eu faço com dois aspiradores em casa?

(Luíza Gallagher)

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Poeminha pro Moço Bonito

Moço bonito andando na rua,
Moço bonito deitado na cama
Sentado, parado
Conversando ou calado
Moço do sorriso encantador
Que me faz sonhar
Moço do abraço protetor
E do doce olhar
Moço bonito que me enlouquece
Que invade meus sonhos
E que com um abraço me aquece
Moço tão bonito que é difícil explicar
Meu moço mais que lindo
Como é fácil te amar ♥

(Luíza Gallagher)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Príncipe Canalha



Conto-lhe agora uma história pós moderna, onde o "Era uma vez" já se perdeu e o final feliz nunca chegará, um conto de fadas onde fadas não há. Essa é a história de um príncipe desencantado que no alto de uma torre, o safado deixou sua princesa abandonada. Pelo reino vagou e uma pobre dama psicótica ele encontrou. Com ela riu, se divertiu e oras, até mesmo dormiu. Depois de tudo terminado para seu palácio foi o coitado. Mal sabia ele que a louca psicótica achava que agora ele a pertencia e não mais importava o que ele lhe dizia. O príncipe canalha seguiu seu caminho e outras belas damas seduziu com um bom copo de vinho. Apesar da bela princesa aprisionada e das damas conquistadas a psicótica ainda por ele era apaixonada. Não conformada estava com sua situação e do príncipe exigia o coração. Todas as noites o pobre canalha a ela deve voltar e apaixonadamente se declarar após de todas as conquistas se explicar. Quando ela se sentia ameaçada, a rival para um duelo desafiava. Munida de duras palavras a louca disparava. Sem juízo ela se gabava de ser a preferida, aprisionada a princesa sorria: "Pobre louca a sonhar, presa ou não é para cá que o canalha irá voltar."
Certa ou errada a princesa a espera do príncipe continuava. Desvairada a psicótica a tudo espreitava. As damas do reino se deixavam conquistar, que mal havia com um príncipe uma noite se deitar? Sem esperar casamento com o canalha só queriam um momento. Mas a psicótica ficava a ameaçar. Cuidado jovens essa louca pode até matar. 

(Luíza Gallagher)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Pôr do Sol

http://imagens-de-fundo.blogspot.com/2011/05/imagem-de-fundo-vista-sobre-cidade-ao_19.html

Na correria cotidiana não paramos para pensar direito em um motivo para a vida, apenas vivemos. Somos como robôs programados para se levantarem e fazerem o que tem que ser feito. Seguimos assim, acordamos, vamos para a escola, depois faculdade, trabalho e quando percebemos o dia acabou, a vida passou, estamos velhos demais, cansados demais e só nos resta sentar e ver o sol se pôr no horizonte. A vida é breve. Vivemos o hoje, mas para quê? A maioria das pessoas acorda ao soar do despertador sem se dar conta do porquê de abrir os olhos. Todos nós temos motivos que nos impulsionam a seguir: trabalho, amor ou mesmo a própria vida que se ergue sobre nós com algumas maravilhas e alguns desafios. Somos poetas construindo um poema de lágrimas e sorrisos a cada minuto. A vida é coisa rara, é coisa bonita, é coisa difícil. Cada um sabe as incertezas que traz no coração, e cabe a nós descobrirmos o que nos faz levantar e viver. Ao final do dia, quando nos deitamos exaustos na cama são esses motivos que embalarão nossos sonhos. Eu acordo para entender um pouco o mundo que me cerca, e você? Por que você acorda?

(Luíza Gallagher)

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Nascer do Sol

http://zoomcarioca.tumblr.com/post/27713372685/o-amanhecer-no-centro-do-rio-de-janeiro-imagem


O dia amanhece. No horizonte o sol nasce ainda tímido. O despertador toca ao meu lado, mas o som parece vir de tão longe... Deve ser o sono, tenho que acordar. Levanto-me preguiçosamente como em todas as manhãs. Mais um dia começa. Lá fora, em algum lugar ao longe alguém ainda se agarra ao último minuto de um sonho bom. Cheiro de café fresco se espalha pelo ar. Aos poucos as ruas ficam abarrotadas de gente, o burburinho vai crescendo e a população enfim desperta ziguezagueia ao longo das avenidas. Ruas cheias de estranhos. O que essas pessoas pensam? O que esperam do seu dia? O que faz com que acordem para encarar a vida? Milhares de pessoas se cruzam, se esbarram. Algumas dizem um rápido "Bom dia", outras passam tão rápido que pronto, já se foram... E nesse encontro e desencontro fica a sensação de vazio, de ser apenas um na multidão. Ninguém se importa se dormi bem e nem o porquê eu estou aqui, viva. Posso estar mais uma vez falando besteira, posso estar pensando demais, divagando mais que o necessário... Mas nessa correria cotidiana acabamos esquecendo o porquê vivemos, o para que abrimos todos os dias nossos olhos e resolvemos seguir em frente. Qual será o objetivo que nos move? Será que alguém se pergunta isso? E você já parou pra pensar o porquê você acorda?

(Luíza Gallagher)

terça-feira, 25 de junho de 2013

Kanhaiya Kumari: O menino, a mãe e a lua

Um menino chamado Kanhaiya Kumari nasceu dentro de uma prisão e foi entregue pela mãe às autoridades, cresceu em orfanatos. Andava sozinho, era um menino de poucas palavras e olhos tristes. De três em três meses era levado até a cadeia  e lá tinha alguns rápidos minutos com sua mãe. Passava tão rápido, ele mal conseguia ter tempo para abraçar-lhe e contar todos os detalhes de sua vida. O menino vivia imerso em pensamentos, em sonhos. Em meio aos sonhos infantis estava lá o desejo desesperado de tê-la por perto. A cada visita à mãe voltava com o rosto marcado pela tristeza e o nó prendendo-lhe a garganta.
Quando ainda não passava de um menino, demorava a pegar no sono a noite, assustado com os monstros. "Como vou me proteger sozinho do bicho papão?", se perguntava às lágrimas. Nessa horas insones ele abria a janela e deixava a reconfortante luz do luar iluminar seu rosto. Passava horas admirando a lua até finalmente cair no sono. 
Uma noite, Kanhaiya não conseguia dormir, depois de se revirar na cama por horas, olhou para a lua que o encarava da janela  e fez uma sincera promessa a si mesmo: "Irei ajudar a minha mãe!".
O menino foi crescendo e nunca se esqueceu de sua promessa, todas as noites olhava para o céu e uma prece fazia para a lua: "Eu preciso encontrar um modo de ajudar a minha mãe, o que devo fazer?".
Os dias seguiram, no espelho não se via mais um menino, mas já um homem. Começou a trabalhar duro noite e dia, economizava vintém por vintém, até que por fim lá estava o equivalente a 370 reais guardados embolados dentro da fronha. 
O rapaz orgulhoso foi para a cadeia contar as boas novas para a mãe. Depois de 19 anos de distância entre mãe e filho a fiança havia sido paga e em liberdade a mãe chorosa e com o peito inflado de orgulho do amado filho o abraçou. 
Kanhaiya teve seu primeiro jantar em família e naquela mesma noite olhou para a lua e agradeceu: "Obrigado por me guiar, por me proteger e por cuidar da minha mãe. Agora Dona Lua, só o que peço é que o nosso abraço seja eterno.", o jovem deitou no colo da mãe e ali pegou no sono, sentindo a respiração maternal que tanto lhe fizera falta. Agora ele estava seguro, sua mãe estava com ele e os monstros nunca o pegariam.

(Luíza Gallagher)


* A história baseada na notícia: http://br.noticias.yahoo.com/blogs/vi-na-internet/indiana-espera-19-anos-at%C3%A9-filho-crescer-e-204635709.html

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Rodrigo

Você surgiu de repente como um anjo vindo dos céus e quando percebi já era amor. Você me conquistou com algumas palavras doces e esse seu jeito completamente apaixonante. Quando abriu esse sorriso que é o mais lindo que já vi, eu já era sua. 
Implicante, irritante, chato, teimoso e fazedor de cócegas, ainda assim perfeito para mim. Como não te amar? Como não te desejar? Impossível para mim não te querer.
Cá estou eu hoje, não só comemorando o seu aniversário como também agradecendo por você ter nascido e  por dentre todas as opções que poderia ter, fez de mim uma escolha.
Eu o amo. Simples e fácil assim, quase sem querer, mais que bem querer... É amor.
Desejo a ti muitas felicidades e todas essas baboseiras que todos que amam acabam sempre por desejar. Que você tenha muita saúde e que alcance todos os seus objetivos. E quanto a mim? Estarei aqui seja para te ajudar ou apenas para ficar te olhando e babando por ti. Tudo o que quero é que você seja feliz, e eu ficarei ao seu lado para cuidar de você do meu jeito desajeitado porém apaixonado.
Feliz Aniversário minha vida.

(Luíza Gallagher)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Revolta da Salada: O Despertar do Gigante



Um aumento no preço da passagem de ônibus em São Paulo cria revolta e indignação na população que por sua vez resolve tomar as ruas em protesto. Aí você pergunta: "Oras, tudo isso por causa de 20 centavos?" Não, não é tudo por causa dos 20 centavos, devo informar-lhe. O Brasil é um país com um elevado índice de corrupção, é uma pátria doente e muitas são suas moléstias. Um país com desigualdades, com descaso para com o cidadão, um país em que as diferenças sociais gritam. A população cansou da inércia, cansou de ser tratada a pão e circo e se uniu em uma luta que é de todos. Os políticos não entendem, os grandes empresários também não, até alguns "jornalistas"  que deveriam defender o direito à liberdade de expressão e à luta social brasileira acabaram ali perdidos, sem entenderem o porquê, pobre Arnaldo Jabor. 
Nos jornais as manchetes falavam de vândalos e de revolta sem causa. Opa, revolta sem causa? Com todos os problemas que existem nesse país acho eu que o que mais temos é causa para nos revoltarmos. Quanto a vandalismo, sim houveram pessoas apelando para o quebra quebra, mas foi uma minoria repudiada até pelos próprios manifestantes. Jabor foi um que ironizou a manifestação, mas não foi o único. Vários veículos de mídia alegavam que a revolta estava sendo feita por jovens de classe média e alta que não tinham o porquê de brigarem por 20 centavos... Mas como disse, não são apenas os 20 centavos. Alguns "jornalistas" diziam que o pobre trabalhador que deveria se rebelar não estava ali nas ruas e que isso seria a prova de que a manifestação não era legítima. Pergunto a vocês: Querem mesmo saber onde estão os pobres trabalhadores? Estão ali suando a  camisa para conseguirem sobreviver com alguma dignidade com esses salários vergonhosos, estão ali lutando para pagarem suas contas e os altos impostos que o governo brasileiro impõe. Eles não estão nas ruas pois estão lutando para comprarem o pão de cada dia. Pobre Jabor, tão ingênuo que chega a crer que a manifestação é uma festa, não Jabor, não é... O Carnaval acabou. 
Aos poucos a população despertou, o gigante acordou e está ali pronto para mudar o país, ou ao menos tentar mudar. Os brasileiros estavam enferrujados de tanto ficarem sentados em seus sofás reclamando da vida, mas algo aconteceu, a rua é nossa.
Uma manifestação pacífica e até mesmo despretensiosa, chego a  afirmar, e que acabou crescendo. Se antes o povo queria respeito, agora quer respeito e liberdade. A manifestação que se auto dominou de Revolta da Salada após a prisão de vários manifestantes por estarem portanto vinagre, desde quando uma substância ilícita? E a forma truculenta com a qual a polícia agiu, o notável despreparo e abuso de autoridade da tropa de choque foi ganhando as redes sociais e o absurdo rendeu novas manifestações em várias outras cidades do Brasil e até mesmo no exterior. O mundo viu como o Brasil trata seu povo, e em solidariedade muitos cidadãos de fora  do país entraram na luta. 
Policiais agredindo covardemente manifestantes com bombas de gás, sprays de pimenta, cassetetes e balas 
de borracha como se enfrentassem marginais. Uma população munida de gritos exaltando a não violência, um povo que insatisfeito foi as ruas reclamar, uma nação que só exigia um pouco de respeito e foi recebida com agressões. O choque tomou conta de todos, oras, achávamos que a ditadura já havia passado. Fomos ingênuos, acreditávamos que vivíamos em um país livre em que poderíamos nos manifestas, mas não. Vivemos no mesmo Brasil que tantos anos atrás calava e torturava seu povo. A ironia nisso tudo é que um país onde seus governantes lutaram no passado contra a repressão agora está aí, reprimindo mais uma vez sua população. Se esqueceu de suas lutas senhora Dilma Rousseff? Um dia a senhora esteve ao lado do povo, o que houve depois que assumiu o poder? A presidência lhe tirou o espírito de justiça?
Os poucos e verdadeiros jornalistas, digo verdadeiros por possuírem ainda em seus corações a essência da luta pela verdade e por terem em suas veias o sangue daqueles que lutam contra as repressões sofridas, esses estavam ali tentando trabalhar, tentando apenas cumprir seu papel e relatar a manifestação, porém serviram também de alvo dos ataques da polícia. Profissionais que estavam exercendo sua função e foram atacados por aqueles que deveriam proteger a sociedade. 
Após os jornalistas se tornarem inimigos da força policial, a mídia, ou ao menos parte dela, abriu os olhos e reclamou: "Como assim? Meus funcionários sendo atacados? Oras, que ataquem os vândalos vagabundos e não trabalhadores!"
O picadeiro estava pronto, o circo está armado, mas dessa vez o povo não servirá de palhaço. Pela primeira vez em tantos anos vejo um orgulho patriota brotar no peito dos brasileiros. O Brasil resolveu sair da inércia e pulou a parte do hino que diz: "Deitado eternamente em berço esplêndido" direto para a parte que exalta: "Verás que um filho teu não foge à luta". Pode não haver nenhuma mudança de preço na passagem, mas o povo descobriu seu poder, o povo agora sabe que possui voz e que ao gritar em uma só voz o mundo inteiro sacode.
Os políticos atordoados com tamanha manifestação surgem na televisão pedindo calma, dizendo que não há repressão, que tudo foi um incidente, oras quem diria, a polícia não estava preparada. Ops, como assim a polícia não estava preparada? Um país que está prestes a sediar a Copa do Mundo de futebol, um país que daqui a alguns anos vai ser sede das Olimpíadas, e a polícia está despreparada? Se os policiais não conseguem manter a calma e o controle em uma manifestação pacífica, como esperam agir em meio ao tumulto comum em grandes eventos? Os estádios estão preparados, a polícia não.
O leão aprendeu a rugir e a passos curtos tal qual de uma criança aprendendo a andar o povo vai conquistando o seu espaço. Não queremos nada de  impossível, apenas nossos direitos, tais como dignidade, justiça, respeito, liberdade e alguma qualidade de vida, pois atualmente vivemos num país que mal nos garante uma vida que dirá alguma qualidade. Enquanto nossa nação cresce com síndrome de inferioridade acreditando que na Turquia há manifestantes e aqui há vândalos, como nossos grandes jornais pregam, o governo ri na nossa cara desacreditando que nos ergueremos. Demos o primeiro passo em direção a mudança, estamos preparados para lutar pelos nossos direitos. Unidos podemos reconstruir um novo país.



(Luíza Gallagher)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Amor



Hoje é o dia mais clichê do ano e mesmo assim é um dos mais belos. Mesmo com tantas declarações forçadas, flores artificiais e canções de amor ecoando pelas ruas amontoadas de casais atrás de um bom restaurante ou de um presente caro para o par, há aquele bilhete escrito com uma caneta qualquer em um pedaço de papel de pão no qual se lê um "Eu te amo" meio tímido rabiscado no canto, porém trazendo ali toda a verdade de um coração apaixonado.
De todas as cafonices o amor é a minha preferida ♥

(Luíza Gallagher)

Dia dos Namorados




Dia dos namorados, a data mais clichê do calendário. Filas em restaurantes, casais pra todo lado se declarando, flores, chocolate, propagandas disputando a atenção dos enamorados, e tudo pra que? Para se declarar, para se ficar junto, para provar o amor. Esses clichês maravilhosos de quem ama. Passeio de mãos dadas na rua, abraço apertado, declarações ao pé do ouvido, dormir juntinhos… O “Eu te amo” quando menos se espera, um carinho depois de um dia puxado, um sorriso compartilhado… Ah, dia dos namorados… O casal trocando carícias, o perfume dos dois se misturando, os olhares… Essas pequenas coisas cotidianas, simples detalhes sussurrados que fazem a alegria dos apaixonados e que nessa data são gritados aos quatro ventos. Quer saber? Pra quem se ama o dia dos namorados é todo dia, é todo o tempo em que se está ali com aquela pessoa na mente, é todo o abraço, todo beijo. É cada batida do coração que acelera só de pensar no amado, é cada respiração ofegante próxima ao pescoço dele. Dia dos namorados dura desde o primeiro segundo em que os olhos brilham até a opacidade tomar conta do olhar e o coração já frio não mais conseguir amar.
(Luíza Gallagher)

terça-feira, 11 de junho de 2013

Banco da Praça



  Tomás aproximou-se devagarinho daquela menina sentada ali distraidamente no banco da praça. Por um segundo pareceu que ele lhe pregaria um susto, mas no lugar disso impostou a voz e disse com pompa:
-Oras, a senhorita sentada aqui tão solitária, por acaso espera por alguém?
  Recuperando-se do breve susto a moça empina o nariz e responde afetada:
-Sim, espero o meu namorado!
  Tomás a encara e então diz:
-Mas que namorado deixaria tão bela dama sozinha a sua espera?
  A moça com tom levemente irritado responde:
-Por ele eu não me incomodaria de esperar por toda a minha vida. Eu o amo e ele é o meu príncipe.
  O rapaz lança-lhe um sorriso meio torto e desdenha:
-Um príncipe? Ele é tão especial assim?
  A garota com ar apaixonado divaga:
-Sim, com certeza é. Ele é como um sonho bom. Com ele sinto que posso ser feliz de verdade, eu o amo.
  O rapaz então abre um sorriso sedutor e diz:
-Nossa, vejo que gosta realmente dele... Posso saber qual o nome desse sortudo?
  Eles se encaram demoradamente, os olhos deles brilham intensamente e com um sorriso nos lábios ela responde:
-O nome dele é Tomás.
Eles se beijam, o mundo roda ao redor, nada mais existe. Eles se amam.

(Luíza Gallagher)

sábado, 8 de junho de 2013

Denna, a fugitiva

Você é saudade, 
Toda feito de solidão e ausência.
Menina que para longe corre
Mulher feita de fumaça que se desfaz em um piscar de olhos
Tento me mover de forma silenciosa, penso no que dizer
Tenho medo de afugentá-la sem querer

Seus olhos brilham na luz dos meus
Sua pele cintila com a luz exata
Seu cheiro doce toma minha alma e arrebata meu coração
Bela, és a mais bela que já vi

Arisca e desconfiada se aproxima pelos cantos
Seu olhar de repente fica como o de um cervo assustado
Sua respiração acelera
Sinto o pânico me tomar
Estendo a mão para tentar segurar-lhe
Já é tarde
Partiste mais uma vez
Você sempre se vai
Fico aqui parado com a tão conhecida dor da sua falta
Com o tão familiar desespero que me domina a cada partida

Você é amor
Toda feita de beleza e acalento
Você é dor
Toda feita de vazio e tristeza
Você é saudade
Toda feita de solidão e ausência

(Luíza Gallagher)

Dia Mundial da Saudade, Seu Dia



"Tudo me faz lembrar você e eu já não tenho pra onde correr."

Em algum lugar ao longe o galo canta, ouço pessoas passando na rua, o dia amanhece e eu aqui deitada na cama me agarrando a memórias empoeiradas. O tiquetaquear aflito do relógio não permitiu que eu adormecesse. Mais uma noite em claro vendo o tempo passar sem você. 
Levanto trôpega, mas decidida a seguir em frente. Vou escovar os dentes e sinto falta da sua escova ali ao lado fazendo par com a minha. Visto o meu vestido, aquele mesmo que usei em nosso passeio no parque em algum lugar no passado. Ao passar pela sala desvio por instinto do lugar em que costumavam ficar jogados seus sapatos. Me preparo para reclamar da louça suja, mas encontro a pia vazia, vazia como meu coração. Abro a geladeira e ali está seu suco favorito intacto, você não está aqui para tomá-lo. No carro ainda sinto seu perfume. Ligo o rádio, óh não! A nossa música.
Todos os meus dias são assim, busco migalhas de você por onde quer que eu passe. Um forte aperto no peito me toma toda vez que vejo um sorriso parecido com o seu pelas ruas. O dia passa lentamente, vejo o ponteiro do relógio se arrastar preguiçosamente. Fim do expediente, volto pra casa. Congelo no estacionamento ao ouvir sua voz, me viro e não, não é você. Como é possível ouvir sua voz nesse silêncio que habita o meu peito? Como consigo sentir sua presença mesmo na ausência? Talvez eu esteja enlouquecendo.
Enfim chego em casa. Me jogo na cama e caio em prantos. Espero você chegar para me abraçar, contar uma de suas piadas sem graça, ou mesmo me matar com as tão insuportáveis cócegas que tanto adorava fazer em mim, você não está aqui. As lágrimas secam e permaneço deitada, imóvel. Carrego no coração toda a sua ausência. O sono chega para entorpecer um pouco meu corpo tão exausto de viver sem você. 
Os meus olhos se fecham e enfim te encontro em meus sonhos. A saudade se desfaz em um abraço apertado. Amanhã ei de sentir novamente a dor da sua falta, a saudade há de bater mais uma vez em minha porta.

(Luíza Gallagher)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Quem disse que homem não pode ser feminista?


O ativista digital Samuel Farias explica como entrou nessa luta



Um homem que luta pelos direitos das mulheres parece algo inimaginável, mas assim é Samuel Farias, de 28 anos, um ativista digital feminista. Ele apresenta um olhar diferente sobre esse movimento tão criticado, principalmente por parte dos homens que não concordam com esses ideais. Samuel vai na contra mão e apoia ativamente a causa.
No blog e no perfil do Facebook dele pipocam textos críticos, de sua autoria ou não, sobre o sexismo e o papel da mulher na sociedade atual. A indignação contra o machismo e a luta pela igualdade já lhe rederam muita dor de cabeça e discussões, mas nada disso desanimou Samuel a seguir adiante em seus ideais. “Desde sempre me interesso por esse assunto. Moro no Rio de Janeiro, lugar conhecido por praias e belas mulheres, e essa obsessão pelo corpo perfeito, essa vulgarização estética da mulher me motivou a ajudá-las nessa luta. Não sou um homem defendendo mulheres, sou um cara lutando pelo que acredito. Luto pelo que acho justo”, afirma.
O ciberativista explica que o feminismo ao contrário do que muitos pensam defende a igualdade de direitos e deveres para homens e mulheres e não um privilégio ao gênero feminino. “O feminismo é um movimento que busca por igualdade. Queremos quebrar os preconceitos e estereótipos que escravizam as mulheres em geral. Além disso, o feminismo também trata da defesa de diversos grupos considerados minorias que são tantas vezes vítimas de preconceitos e injustiças.”
Essa luta é bastante ampla de acordo com ele e envolve também o preconceito racial, sexual e a gordofobia (preconceito contra pessoas gordas), combatendo a busca por um corpo ideal que muitas vezes é inalcançável.
Samuel cita o direito da mulher de escolher o parceiro, o direito de voto, direito de trabalhar e até mesmo a lei Maria da Penha como grandes vitórias do feminismo. Porém, afirma que ainda há muito a ser conquistado, como o direito da mulher decidir sobre o seu próprio corpo, receber salários iguais aos dos homens, o fim da opressão e o fim da banalização da violência à mulher.
Samuel possui muitos seguidores em seu blog e participa de fóruns e grupos online que debatem e desmistificam o feminismo, que segundo ele é um movimento mais fraco do que os demais que buscam igualdade, porque os valores machistas e sexistas já estão tão impregnados na sociedade. “A minha militância é solitária, eu milito pela causa, mas não partilho dos métodos de grupos como o Femen, não apoio o movimento em partidos políticos, mas procuro conscientizar homens e mulheres através das redes sociais, da discussão de propostas e tocando na ferida”, explica ele.

A informação é a principal estratégia do jovem para vencer essa batalha, ele acredita que ao esclarecer o que realmente é o feminismo as mulheres começaram a entender as injustiças que ocorrem e passam a lutar por mais justiça. “Honestamente, o feminismo ainda não morreu, mas agoniza. É de extrema importância a conscientização da sociedade”, alerta Samuel.


(Luíza Gallagher)

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Abraço



"Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve."
(Martha Medeiros) 


Aquele abraçado apertado, aquele abraço que cura toda e qualquer ferida, aquele abraço que nos dá força e coragem para seguir em frente. O melhor dos carinhos!
Rosto colado, corações sintonizados, silêncio. Palavras se tornam desimportantes no momento em que os corpos ali colados, apertados se tornam um só. Sentir a respiração do outro, sentir-se protegido do mundo. Aquela sensação de que nada pode fazer-lhe mal enquanto você estiver ali envolto naquele abraço.
Abraço de mãe preocupado, de namorado apaixonado, de pai zeloso e de amigos inseparáveis. Melhoram o dia, combatem a tristeza e liberam a felicidade.
Partilhar a alegria? Fácil, abrace bem apertado uma pessoa querida. Abraço em grupo? Melhor ainda, aperte com força e revigore a sua energia. 
Um remédio sem contra indicação, um remédio mais que recomendado e que acalenta o coração. Já abraçou alguém hoje? 

Feliz dia do abraço!

(Luíza Gallagher)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sophie V




Querido Adam,

Eu o amo a cada segundo mais. Vago nas ruas atras de algum sinal teu, passo horas sentada olhando o mar e rezando baixinho para que você volte para mim. Ah, o mar! O mar é testemunha do meu sofrimento, o mar continuará ali sabendo de todas as minhas dores mesmo que eu não mais exista. Cada lágrima minha fica ali perdida por entre as ondas num ir e vir eterno buscando por ti.


Não mais suporto a dor de encarar Alice. É duro olhar para aqueles olhos, seus olhos, e saber que não é você.

Me disseram que estou enlouquecendo, que deveria esquecer as fantasias e viver a realidade, a minha filha precisa de mim. Adam o que é a realidade? Nada é real para mim sem você. Me perco em delírios de dor a cada lembrança tua. Não consigo cuidar de uma criança, não consigo cuidar de mim.

Falaram que o Ethan irá levar a Alice de mim. Não sei quem ele é, mas temo ao pensar que não mais ouvirei aquele inocente riso infantil pela casa. Apesar de tudo, é aquela menina que me motiva a sair da cama, é por ela que ainda vivo. Eu a amo apesar de não conseguir fixar os olhos nela, apesar de não suportar seus abraços e brincadeiras infantis. Não consigo toca-la, nem dizer-lhe o quanto é importante para mim. Me dói ficar tão próxima de algo tão frágil e puro. Sinto-me só, perdida no escuro é como se eu estivesse aprisionada. Vivo assustada pelos cantos. Adam nunca esquecerei de ti.

Da sua eterna Sophie.

(Luíza Gallagher)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Sophie IV




Adam, 



Sua falta não mais me causa dor e nem lágrimas rolam pelos meus olhos. Após dois anos sem você sinto apenas o ódio pela sua partida. Eu o amava como a um príncipe, mas hoje vejo que você nunca passou de um vilão cruel e ardiloso. Roubou de mim toda a alegria, toda a ingenuidade e carregou o coração que eu possuía. Hoje não mais sou capaz de amar.

Não existe alegria e nem esperança, estou cercada por trevas. A esperança que me restava foi por fim destruída, dois anos e nenhum sinal de você?

Alice é meu porto seguro, irônico. Uma criança indefesa que deveria depender de mim, mas cá estou eu atirada no chão aos prantos completamente frágil. Vejo-me no escuro sem seus olhos para me iluminarem, Adam.
Eu o odeio, odeio por ter despedaçado minha vida, odeio por ter aparecido, por ter me feito amar, por ter me feito acreditar... Mas você partiu sem mim, sem Alice... Você nos abandonou como um pobre bêbado abandona a esperança ao virar mais uma garrafa de rum. Você me abandonou como quem abandona um cão sarnento, demonstrando assim toda a crueldade que um ser humano pode ter.
E eu perdi dias, meses, anos ali a te esperar. Todo o fim de tarde ia para frente do mar para ver se ali encontraria partes de você. Cansei de mendigar migalhas de você. As pessoas não entendem, pedem para eu parar, para eu seguir e cuidar da Alice, dizem que não importa quem quer você seja.
Ninguém o conhece Adam, e como poderiam conhecer? Eu que me julgava sua, eu que te julgava meu... Olha para mim, olha como estamos, olha o que sua ausência me causou.
Gostaria que você nunca tivesse existido. Cada minuto ao seu lado fez com que eu me sentisse no paraíso, mas a cada segundo da sua ausência me sinto caindo em um abismo infinito de dor. Essa é a última carta que escrevo a você Adam.
Quero que saiba o quanto o odeio por tudo e espero que um dia pague. Quanto a Alice, oh, a bela menina de olhos iluminados, ela é um anjo apesar de possuir seus olhos demoníacos. Ela me salvará da dor da sua ausência. Sobreviveremos ao seu abandono, como se você ao menos se importasse.

Sophie.



(Luíza Gallagher)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Omar Borkan al-Gala


Desde a infância lhe diziam o quão belo era, na juventude era o orgulho da mãe e a perdição das donzelas. Despertava a luxúria por onde passava, chamava a atenção e atraia a mais virtuosa das mulheres. Possuía aqueles olhos sabe? Aqueles que arrastam qualquer anjo para o inferno. Com um sorriso derretia as calotas polares.
Ele traz o pecado, despe mulheres com um simples gesto, é seguido por olhares desejosos onde quer que passe. Porém a beleza tem o seu preço. Assim como Dorian Gray, ele há de descobrir a cruel desvantagem. A inveja o ronda. "Mas como ele pode seduzir a minha mulher dessa forma?" se indignarão alguns. "Ele é um demônio!" exclamarão outros. "É um risco para as mulheres" dirão os tabloides.
Exilado ele será para manter a boa e casta integridade das santas mulheres. Para que as donzelas não caiam em tentação o belo jovem deverá ser deportado. Assim, os menos agraciados pela natureza não terão como concorrente um homem de beleza inumana.
Desfrute dos prazeres jovem Omar, mesmo com a inveja e difamação aproveite, pois a beleza é uma faca de dois gumes, saiba usá-la rapaz. Ao contrário de Dorian Gray, no retrato seus olhos terão o mesmo ardor de hoje, porém você... Oh, pobre Omar, irá se reduzir a rugas e sua chama apagará. A beleza é efêmera. Corra, conquiste, encante enquanto há tempo. Independente do que digam arraste quantas castas damas puder para o inferno. Mesmo cercado de luxúria e vaidade o céu ainda há de ser seu, jovem do sorriso angelical.

(Luíza Gallagher)