quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Não era amor...






“Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor, era melhor.” (Divã)
Melhor, maior, mais intenso, sem comprometimento, sem a cobrança, sem rotina, só o desejo, só o momento. Às vezes é apenas disso que se necessita. Uma aventura, uma rima, não um texto, não necessariamente tem que haver um contexto, apenas um parágrafo, ou quem sabe o título? Um minuto, uma hora, um dia. Tempo? Para que mais? Uma única dança, um último suspiro, o sorriso da despedida, uma garoa fria no fim da tarde quente. O refresco da vida, o sonho interrompido, a lembrança de um movimento, o fôlego antes do mergulho. Não é amor, é mais, é melhor. É o riso, o beijo, o abraço, a memória e a despedida. Num piscar de olhos e a vida volta ao normal, resta apenas a certeza de que não foi amor, não foi em vão, foi talvez, o que chamam de paixão? Quem sabe? Só sei que com certeza não foi amor! 
(Luíza Gallagher)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Ela




Ele era um garoto como todos os outros, dividia seu tempo pensando em meninas, futebol, sua banda de rock e talvez algum jogo legal. Ela era diferente das outras garotas, pra ela não bastavam as fofocas, os amores e os finais felizes de contos de fada. Ela queria mais, queria além, queria muito, queria tudo. Ele gritava sua dor, ela sussurrava seus prazeres. Ele queria compreender, ela queria confundir. Ele sonhava, ela realizava. Mas ele era apenas um garoto como qualquer outro, não podia dar mais que uns amassos e algumas promessas de amor. Ela quis terminar, conhecer outros garotos, e assim fez, se aventurou. Mas logo descobriu que não adiantava, todos eram normais, se contentavam com um simples fato, um simples ato, um gesto banal, ela não queria palavras, não queria promessas,  não queria sonhos, queria apenas se aventurar, viver, realizar. Ela reencontrou o mesmo garoto, ele levava a mesma vida, ele sorriu ao vê-la, quis voltar, reconquistar, ela apenas sorriu e sem nenhuma palavra desapareceu. Aquele rapaz não era pra ela, aquele universo não era pra ela. Decidida, então, se arriscou no mundo. Sem aviso, sem telefone e sem nenhuma garantia partiu. Se por acaso alguém se deparar com uma estranha sem lar que não sabe amar, pode ser ela, pode ser a garota perfeita desse cotidiano imperfeito. Não grite,  não corra, se aproxime devagar e  aprecie apenas aquele brilho no olhar de quem sabe o que quer e diga baixinho, em forma de prece, que às vezes vale a pena sonhar.
(Luíza Gallagher)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Carpe Diem




Às vezes estamos próximos a fazer algo ridículo ou sem sentido, algo que temos vergonha ou medo por causa da imposição moral da sociedade, às vezes também pela imposição da nossa própria consciência. Mas o que devemos fazer? Devemos nos expor a essas situações ou reprimi-las no interior de nossa mente? Bom, alguém me disse uma vez “Você quer, então faça”, ou seja, devemos fazer o que queremos, o que nos dá vontade e nem sempre pensar ou ver o certo. Muitas vezes o errado na verdade é o certo, tudo é relativo. Se não fizer mal a ninguém, que mal tem? Então esse é o meu conselho do dia, viva o hoje intensamente, ria, chore, cante, faça o que te atrair e “se amanhã não for nada disso caberá só a mim esquecer”.  O tempo passa, as lembranças boas ou más permanecem, mas melhor ter lembranças más do que não ter nenhuma. Carpe Diem.

(Luíza Gallagher)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Da impopularidade à ícones da moda: Os nerds invertem os papéis


É da natureza do ser humano se aproximar de pessoas das quais se identificam, criando assim grupos de interesses em comum. Entre os jovens essas divisões são ainda mais notórias, e assim os grupos são facilmente percebidos a partir de seus estilos ainda na escola. Por falar em escola, é lá que a primeira divisão ocorre, quem não se lembra dos “nerds” e dos “valentões”?

    “Nerd” era a expressão pejorativa usada até pouco tempo para definir pessoas com interesses intelectuais considerados inadequados para sua idade e distanciamento de atividades mais populares, o que acabava por excluí-los socialmente. Enquanto os chamados “valentões” eram os garotos populares, geralmente bem vestidos, admirados, em alguns casos exímios atletas, cercados de amigos e que gostavam de caçoar de quem consideravam diferentes.

   Se há algum tempo o “nerd” era considerado sinônimo de caretice, falta de moda e impopularidade, hoje os tempos mudaram e muitas pessoas passaram a considerá-los tendência de estilo.

   Muitos fatores contribuíram para que os holofotes da mídia se virassem para esse grupo antes excluído. Filmes de super-heróis, crescimento da internet e das mídias digitais e até mesmo a ascensão bem sucedida de ícones com Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, a rede social mais pop dos últimos anos.  Aliás graças a esses ícones, considerados por muitos como gênios, que os antes excluídos passaram a ser sinônimo de sucesso. Como já diziam Os Seminovos (banda mineira com letras de músicas divertidas, muitas com a temática voltada para o universo nerd): “O nerd de hoje é o cara rico de amanhã”.

   Marvyn Mesquita, estudante de 20 anos e fundador de um grupo que reúne nerds, acrescenta:

   -Com o tempo os videogames, histórias em quadrinho, mangás e animes - parte da cultura jovem japonesa, referente a quadrinhos e desenhos animados - entre outros elementos foram tomando seu lugar na cultura pop. Com isso, surgiu uma certa "modinha" em que a pessoa diz ser nerd mas na verdade não é. Parte dessa modinha se deve a série norte-americana The Big Bang Theory e ao crescimento das indústrias de desenhos e filmes de super heróis, que sempre foram febre entre os nerds.

   De rejeitados a ícones de uma nova moda, os nerds passam pelos prós e contras de tanta visibilidade. Se agora ganharam mais respeito e admiração, ganharam também pessoas que os imitam para se encaixarem nesse padrão de popularidade. A toda hora nos deparamos com pessoas que imitam o comportamento nerd em troca de uma aceitação desse grupo. João Ribeiro, de 25 anos, afirma:

   -A principio não curtia certos filmes, livros e tudo mais, mas como todos os meus amigos estavam nessa onda nerd, meio PC Siqueira e Marcos Castro – Jovens que ganharam fama através de vídeos postados no canal YouTube – acabei me vestindo e agindo de tal forma para não ser excluído. Com o tempo, é claro acabei me interessando por esse universo e independente da moda hoje é meu estilo de vida.

   Gabriel Santos, analista de sistemas de 35 anos, se diverte com essa inversão de papéis:

   -Acho engraçada essa moda, as pessoas querendo ser nerd, se vestindo, falando, vendo e até fazendo as mesmas coisas que eu sempre fiz. Lembro que passei boa parte da minha infância e adolescência excluído, sem muitos amigos, sendo zoado na escola, riam de mim o tempo todo. A primeira namorada que tive foi aos 17 anos e mesmo assim escondia algumas das minhas “nerdices” com medo dela terminar comigo. E hoje é isso aí, você encontra nerds namorando, na praia, bebendo no bar, cercado por amigos, em contrapartida vê aqueles caras enormes da academia jogando RPG e videogame, é uma troca muito louca, nós como os populares e alguns deles se inspirando na gente.

   Se antes era vergonha, agora é motivo de orgulho, o universo nerd está fazendo sucesso e inspirando muita gente. Os óculos, a blusa xadrez, o sapato estilo Oxford, as saias compridas, as camisas com estampas relacionadas a jogos ou internet. As referências a esse estilo são várias e estão por aí nas ruas, internet e passarelas mostrando que atitude é o que não falta. 

(Luíza Gallagher)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Vidas Desperdiçadas


Hoje o céu amanheceu estranho, escuro. O dia vazio, lamentando a tragédia que se abateu no Rio Grande do Sul. Lágrimas das famílias que perderam seus jovens, lágrimas dos amigos e mesmo de desconhecidos que receberam com choque a notícia. Jovens com o futuro todo pela frente, jovens que ainda tinham tantos risos para dar, tantas lágrimas para derramar. Palavras não amenizam a dor, a mídia passa incansavelmente notícias que só nos fazem deprimir mais. Nada apaga a dor da perda, mas aqui estou escrevendo em memória desses desconhecidos que partiram deixando em mim a sensação desesperadora de que isso poderia ter acontecido comigo! Poderia ter ocorrido com meus amigos! 
O fato de eu não conhecer nenhuma das vítimas não ameniza a dor de tamanha tragédia. São pessoas, jovens, tinham uma vida, amigos, festas, segredos, tristezas e alegrias… Eram jovens que sentiam e viviam até o fogo impiedosamente leva-los desse mundo.Vidas desperdiçadas.
Espaço pequeno, infraestrutura ruim, saídas de emergência com problemas, alvará vencido, show pirotécnico que deu errado… Podemos aqui listar todos os problemas, mas isso não trará aqueles jovens de volta. Quem foi o culpado ou deixou de ser, não cabe a mim julgar. Só espero que tal tragédia sirva de lição que a segurança é importante e que no futuro não percamos mais jovens de uma forma tão estúpida. Eles estavam ali, dançando, rindo, se divertindo, sendo apenas jovens e pagaram caro, pagaram com a vida pela irresponsabilidade de alguns.
Penso nos pais preocupados que após um beijo nos filhos passaram a noite esperando-os retornar e eles não retornaram, nunca retornarão. Imagino o desespero ao saber da tragédia sabendo que seu filho estava ali. Perdemos muito hoje… Que essas famílias consigam ter forças para prosseguirem. Que seus corações pesados encontrem a paz. Que ouçamos o alerta e que mais tragédias assim não ocorram. A vida é valiosa, temos que zelar por ela. Por favor, não deixemos a ganancia ou a irresponsabilidade fazer mais vitimas.

(Luíza Gallagher)