segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Amanhece




O dia amanhece e no horizonte um sol tímido nasce. As pessoas aproveitam seus últimos minutos de sono, se agarrando naquele último sonho. Na esquina um policial fardado substitui o coturno pelo chinelo, com olhar cansado volta para casa encerrando finalmente o seu turno. Um novo dia começa, a cidade vai despertando lentamente, o sol vai surgindo, as pessoas voltam a vestir suas fantasias, suas máscaras do cotidiano. Mais um dia normal, mais um dia qualquer.

(Luíza Gallagher)

Quixote





“Apenas desisti de lutar contra dragões imaginários e passei a aceitar que não passam de moinhos de vento. Nada contra os sonhos, mas preciso me manter acordada por um tempo. Hoje, rir e chorar por coisas reais me atraem mais.”
(Luíza Gallagher)

E se eu disser?

E se eu disser que o que doeu não foram seu atos ou suas palavras? E se eu disser que você não precisa vir se desculpar ou se explicar? E se eu disser que o que doeu, e ainda dói, é apenas a mesma coisa de sempre? Apenas a bobagem da ausência que arde em mim, a teimosia do querer o que não se tem, a ambição de desejar o inatingível? E se eu sorrir e falar que gosto desse masoquismo sentimental? E se eu disser que esperava mais quando no fundo não esperava nada? E se eu disser que ainda sinto o que prometi esquecer e já esqueci o que jurei nunca esquecer? E se eu disser que faço preces a noite para que alguns dos meus sonhos nunca se realizem? E se eu tentasse explicar que a dor e a expectativa me motivam? E se eu confessasse que a muito já desisti e que a teimosia é um modo de tentar reabrir uma ferida só pra vê-la cicatrizar de novo? E se eu negar que seja amor? E se eu afirmar que é apenas um desejo egoísta e cruel por sofrer? E esses são os motivos para que eu nunca lhe diga nada, se eu disser-lhe, você de certo me acusará de ser uma louca desvairada que tem um apego no sofrer, e me amarrará em uma camisa de forças para da minha loucura padecer.
(Luíza Gallagher)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Conto de Fadas






Você age como se tudo não passasse de uma brincadeira, como se tudo fosse apenas mais um conto de fadas. Mas saiba que tenho uma novidade para você: Contos de fadas não existem! Tudo não passa de uma grande mentira para iludir criancinhas.
Qual o problema se seu príncipe encantado parece um sapo? Qual o problema se ele é tatuado, usa roupas rasgadas e tem um baseado na mão?
Não menina, tenho algo para lhe dizer: ninguém é perfeito, muito menos você!
Príncipes encantados são estereótipos para alienar jovenzinhas, nada mais, nada mais. O que lhe resta é apenas um bom rapaz, sem magia e nem cavalo branco, muito menos um palácio em que reinará.
Agora é melhor você voltar para casa, pois no final das 12 badaladas tudo estará acabado, o seu mundinho perfeito desmoronará sobre sua cabeça. A fantasia acabará e você irá perceber a dura realidade: Contos de fadas não existem! Não, não existem!

(Luíza Gallagher)

Indagação

"Será a mente humana tão complexa a ponto de criar fantasmas e crises quase tão reais?"
(Luíza Gallagher) 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Noite

À noite nos despimos da máscara do cotidiano, nos livramos de todo o pudor fingido que somos obrigados a adotar na luz do dia, todo falso moralismo se esvai e o que sobra é o que somos de verdade. No breu da noite revelamos nossa verdadeira identidade. O luar mostra a face mais sombria, mais insana, imoral e sensível que possuímos. Na luz do dia somos apenas bons cidadãos cumprindo seus deveres, todos sérios, corretos e chatos demais. Mas toda essa boa aparência se põe junto com o sol, e nos revelamos pessoas frágeis, com suas loucuras, sordidez e um misto de vilania e heroísmo porque não? À noite deixamos de ser personagens, saímos de cena e passamos a ser nós mesmos, as pessoas por de baixo das máscaras.

(Luíza Gallagher)

(In)sanidade




Qual será a linha tênue que separa realidade de fantasia? Loucura de sanidade? Quem a desenhou? Quem decidiu que era este o limite do real e do irreal? Foi um louco? Um são? Como confiar plenamente nessa divisão?

(Luíza Gallagher)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

“Nós Vamos Invadir Sua Praia” – A Invasão Musical na Região dos Lagos


  A Região dos Lagos é conhecida por suas belezas naturais, lindas praias que atraem turistas dos mais diversos lugares. O que muitos não imaginam é que além do magnífico cenário há toda uma trilha sonora por trás desse lugar. É grande o número de bandas independentes locais, com os mais diversos ritmos e influências, atraindo públicos variados. Apesar da quantidade e qualidade dessas bandas, Fi, baterista da banda Rose Red reclama: “Eventos não são muitos, mas nosso público é grande e sentimos muita falta de shows. Incentivo não tem nenhum para as bandas da região. Apoio zero. O que nos mantêm mesmo são os fãs maravilhosos e sempre presentes”.

  O público, por sinal é apontado como o grande aliado dessas bandas. Além da participação em eventos auxiliam também na divulgação. Leandro França, locutor da Onda Nervosa, um programa de rock da Rádio Ondas ressalta tal ajuda: “O público de rock é fantástico. Com a Onda Nervosa a quatro anos do ar, tenho orgulho demais de ver essa tribo interagindo, pedindo músicas e me apresentando bandas desconhecidas, até então. São muitos roqueiros, mas poucos assumem essa identidade. Há diversos problemas no cenário independente, como a falta de produtores musicais que encarem a coisa de uma forma mais profissional, além de empresários que invistam. Mas o que vale é que muita gente gosta de rock, debatem sobre shows, indicam canções e buscam notícias - o que é ainda mais interessante”.

  Sobre as oportunidades musicais, o rock ainda vem sofrendo um pouco de preconceito, de acordo com Leandro França. Ele afirma que para a MPB as chances são maiores, pois o público a recebe de melhor maneira do que o rock. Se por culpa ou não desse preconceito, uma coisa é certa, deveria haver maiores incentivos, maior abertura e mais eventos com bandas locais, essa é a opinião tanto de bandas como de fãs da região. “A única coisa que queremos são eventos destinados para o rock. O cenário underground aqui está ruim, pois não nos dão brecha. É muito complicado se fazer um show aqui, ninguém apoia. Cabo Frio é uma cidade muito bem localizada e gente de outras cidades têm fácil acesso. Os eventos que rolam são sempre em outras cidades, e temos que nos deslocar daqui e passar por "pequenos perrengues", tudo em nome do rock.” Diz a baterista da Rose Red.

  Zito Cavalcante, guitarrista da banda Indic Blue que está na estrada a cerca de 3 anos, endossa: “Aqui na região quem faz a cena são as bandas. Há pouco incentivo e a internet é a fonte que muito nos tem ajudado, através dela fazemos contato e divulgamos nossa agenda. Agora, aos poucos, produtores interessados numa cena independente, e alternativa, estão aparecendo e procurando o que nós fazemos”. Um desses novos produtores citados é Mateus Pagalidis, de 22 anos, que tem um projeto envolvendo música experimental a cerca de 3 anos que resultou em mais de 50 shows já. Mateus defende as acusações de falta de oportunidade na região e rebate: “Realmente falta espaço, mas esse espaço tem que ser conquistado por pessoas que corram atrás e não pessoas que ficam dentro de casa reclamando. O problema é que muita gente pega a guitarra e acha que virou uma banda porque conseguiu fazer um cover de Legião Urbana. Eu tenho trabalhado para tentar trazer aos shows músicos que eu acredito no trabalho, pessoas com música original, própria e tentar mostrar às pessoas daqui que sim existe todo um mundo musical alem do já conhecido”.

  Sobre organizar shows, Mateus diz que começou a se envolver nesses projetos por conta de amigos: “Eu comecei porque minha mãe tinha um bar e uns amigos estavam começando uma banda, surgiu aí a ideia de fazermos o primeiro show. Organizamos tudo aqui em casa, deu cerca de 50 pessoas. A banda era instrumental e foi o primeiro show instrumental alternativo aqui da cidade”. Seu último projeto, a Temporada Musical de Cabo Frio, teve como objetivo reunir durante todo o mês passado bandas independentes todas às sextas feiras no Corredor Cultural. “A temporada musical foi um lance que a prefeitura fez pra poder dar uma ajuda a esses shows mais alternativos que eu tenho feito aqui, tanto me dar uma força quanto dar uma força as bandas locais. Sou muito grato ao secretário de cultura José Correa e ao Lucas Muller, que está produzindo o festival comigo, por tornar este projeto possível”. Ele ainda ressalta que com a ajuda da internet, essas divulgações ficaram mais fáceis e deu ao público maior acesso sobre músicos bons locais.

  A internet por sinal também ajuda bastante no contato da banda Rose Red com os fãs: “Acessamos o Facebook diariamente, sempre mostrando coisas novas e também para tentar ficar um pouco mais próximo deles”.

  A Região dos Lagos além da bela paisagem tem pessoas de atitude que sabem fazer música de qualidade, o que falta na opinião do Mateus é determinação: “É preciso tocar direito e correr atrás, se não tão te chamando pra tocar, junta com outras 4 ou 5 bandas e aluga um espaço, faz um show. As pessoas têm medo de investirem 100 reais e acabarem perdendo, mas tem que tentar. Só arriscando para fazer algo funcionar”.

(Luiza Gallagher)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Filme Pausado





E como em um filme pausado nós aqui estamos
Apenas nosso batimento cardíaco acelerado mostra que o tempo ainda existe e corre
Lá fora a lua toma o lugar do sol
O breu da noite rapidamente toma conta da rua
Enquanto isso nós permanecemos os mesmos, como se nada houvesse acontecido
Como se o tempo não passasse de um mito
O tiquetaquear do relógio soa distante, quase inaudível
É incrível como as horas passam tão rápido e não percebemos
Estamos distantes da realidade
Distraídos por um sentimento maior
Tempo e espaço são apenas fantasias
Nosso amor é a única realidade para nós.

(Luíza Gallagher)


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Eu te amo





E eu te amo com todos os exageros e clichês que me é permitido. Te amo como num filme, daqueles bem melosos sabe? Te amo com todo o meu coração e até um pouco mais. Ah se houvesse que pagar imposto por excesso de amor assim como por excesso de bagagem, meu bem eu estaria endividada até a próxima vida. Te amo com toda utopia e toda a realidade que só os apaixonados são capazes de entender. Amo-te além de mim, apesar dos pesares e sobre tudo, amo como nunca amei. Por fim devo alertá-lo que meu amor não possui um ponto final, nele vagam apenas as reticências daqueles que amam tanto que não mais conseguem expressar-se.
(Luíza Gallagher)





domingo, 10 de fevereiro de 2013

Saudades


“Saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi (…)”
A eterna busca pelo desconhecido, a eterna busca por uma felicidade prometida. A chamada fuga da realidade. O desejo fantasioso de nossa perversa mente.
Quantas vezes pelos mais diversos motivos sentimos uma angustia ou tristeza, ou simplesmente a sensação de estar nos faltando algo? Quantas vezes você não desejou se tele transportar pra outra dimensão, um Universo paralelo? Estar junto com um alguém ou até mesmo ser um novo alguém?
Um lugar perfeito, um lugar de felicidade plena. Um mundinho dentro de si.
Vivemos nessa busca contínua por um novo prazer. Uma saudade de algo não vivido, de algo que talvez nunca vivamos.
Somos humanos, e como tal somos eternos insatisfeitos por natureza. Por mais felizes que parecemos ou por mais conquistas que temos sempre queremos mais, sempre iremos nos atrair por aquilo que não podemos ter. Um estilo de vida, um bem de consumo, uma pessoa… Quanto mais inacessível, quanto mais distante de nossa realidade maior é o desejo. É isso que nos move. Agarramo-nos então ao futuro, como se em algum tempo posterior conseguiríamos esses tão desejosos bens. E assim passamos a viver nesse sonho que muitas vezes é apenas uma ilusão. Sonhando com algo não presente, com a vida que não temos, sonhando com quem não somos.
E ficamos a desejar essa vida irreal, e que talvez nunca passe de um simples sonho.

(Luíza Gallagher)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Despedidas




Nada é para sempre, ninguém é para sempre. O que permanece é só a lembrança, só os sentimentos. Todo dia pessoas partem, há despedidas ou não, mas elas sempre partem. As pessoas se encontram, se apegam e depois de um tempo se separam, é a roda da vida. Cada um tem seu destino, seu caminho, algum dia no futuro talvez se reencontrem, ou quem sabe nunca mais? Todos partem e o que se faz da saudade depois? Palavras não ditas e emoções sentidas gritam no peito de quem fica. Tudo o que resta fazer é silenciosamente se despedir e aprender que ninguém permanece estático nesse mundo em movimento.
(Luíza Gallagher)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O Tempo Passa



Não há como se enganar atrasando o relógio
Não há como voltar no tempo
Não há uma fórmula mágica para se apagar todos os erros
E nem para se reviver todos os acertos
A vida segue
Deve-se seguir com ela 
Sempre em frente
E procurar um caminho
Para não cometer os mesmos erros
E seguir a felicidade
O tempo passa
Tudo muda, não há como negar
A vida segue seu curso como um rio em busca do mar
Basta manter a calma e a paz interna
Ouvir a voz do coração
E com um pouco de sorte a jornada será boa
E a frente você consiga, talvez, reviver algo
Porém de forma diferente
E evitar cometer os mesmos erros.

(Luíza Gallagher)


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Contrário




E se a Chapeuzinho Vermelho fosse perversa e o Lobo inocente? E se tudo que você passou a vida acreditando de repente caísse por água abaixo? E se a Branca de Neve tivesse envenenado a bruxa? O que você faria se descobrisse que sua vida está errada? Que todas as suas crenças não passam de mentiras? E se Judas tiver sido traído por Jesus? E se o mocinho que você aplaudiu tivesse na verdade planejado todas as vilanias?E se eu te disser que a inocência não existe? E se eu te provar que a Terra é plana? Que o centro do Universo é a lua? Que existe vida no Sol? Eu estaria errada? Você me chamaria de louca? Mas por quê? “Tudo é relativo”, não foi o que o sábio disse? E se ele não fosse sábio? Sim, sempre o acharam louco, e se de fato fosse? Duvide! Reveja! Analise! Tire suas próprias conclusões antes de ser mais um a acreditar no lógico, no óbvio do senso comum. Pense por si só. Esqueça a opinião popular. Refaça a história. Monte seus próprios mocinhos. Talvez essa história nem precise de vilão… Pegue o lápis e crie a sua própria verdade. Reinvente o seu mundo.
(Luíza Gallagher)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Homem de Lata





Se eu ao menos fosse humano, saberia sentir a essência da alma, poderia sentir o calor dos seus abraços e a doçura dos seus lábios… Se ao menos houvesse um coração batendo em meu peito, sentiria um arrepio, um tremor toda vez que nossos olhares se cruzassem… Se fosse humano conheceria o amor, viveria de sua poesia, saberia fazer versos e teria sentimentos…. Mas sou apenas um homem de lata, feito do material mais frio e mais resistente, não posso amar, não fui programado para sonhar… Dentro de mim o circuito mais complexo, fios, baterias, chips… mas aqui dentro não há nenhum coração… Não há sentimentos, sou apenas um robô, um homem de lata que queria poder amar. Em vez de alta tecnologia, tudo o que eu queria era um coração!
(Luíza Gallagher)


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Muro entre nós



Tão perto e tão longe
Separados por um fino véu
Sinto você do outro lado
Sinto seu calor
Imagino seus lábios
Mas um véu nos separa
Apesar de pertos
Essa barreira entreposta nos torna distantes
“Há um muro de concreto entre nossos lábios”
E só o desejo mais verdadeiro pode tentar rompê-la
Então fecho meus olhos e peço de todo coração
Que esse véu rasgue 
Que esse muro caia
E então eu possa reencontrar-te
Tocar-te
E ter a certeza de que não é um sonho
De que você está ali e é real.

(Luíza Gallagher)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Apenas a Lembrança




Será que tudo não passou de um sonho? Num instante você estava ali ao meu lado, me abraçando e me fazendo crer que enfim seriamos felizes. No entanto bastou um piscar de olhos para que você sumisse, a música parasse e eu mais uma vez me achasse sozinha. Não sei se foi um sonho ou uma alucinação, mas apesar de você não estar ali, deixou para trás seu perfume e ainda pude sentir o calor do seu abraço em mim. E agora o que me resta? Apenas a lembrança de um amor que partiu.
(Luíza Gallagher)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

E se...





E “se”? E “se” eu não tivesse feito isso? E “se” tivesse ido por outro caminho? E “se” tivesse ficado? E “se” tivesse dado certo? Tantas possibilidades… A cada escolha um fantasma seu fica para trás, um fantasma de como você teria sido se tivesse feito a outra escolha. Mas esses fantasmas você jamais verá, apenas assombrarão sua mente com os caminhos que se deixou de trilhar. A vida é assim, quanto mais andamos para frente, mais caminhos são deixados para trás, a cada reta uma esquina não virada, pessoas que deixamos de conhecer, coisas que deixamos de fazer, ou mesmo pessoa que você poderia ser. Só nunca saberemos que pessoa seria essa.
(Luíza Gallagher)