sexta-feira, 26 de abril de 2013

Omar Borkan al-Gala


Desde a infância lhe diziam o quão belo era, na juventude era o orgulho da mãe e a perdição das donzelas. Despertava a luxúria por onde passava, chamava a atenção e atraia a mais virtuosa das mulheres. Possuía aqueles olhos sabe? Aqueles que arrastam qualquer anjo para o inferno. Com um sorriso derretia as calotas polares.
Ele traz o pecado, despe mulheres com um simples gesto, é seguido por olhares desejosos onde quer que passe. Porém a beleza tem o seu preço. Assim como Dorian Gray, ele há de descobrir a cruel desvantagem. A inveja o ronda. "Mas como ele pode seduzir a minha mulher dessa forma?" se indignarão alguns. "Ele é um demônio!" exclamarão outros. "É um risco para as mulheres" dirão os tabloides.
Exilado ele será para manter a boa e casta integridade das santas mulheres. Para que as donzelas não caiam em tentação o belo jovem deverá ser deportado. Assim, os menos agraciados pela natureza não terão como concorrente um homem de beleza inumana.
Desfrute dos prazeres jovem Omar, mesmo com a inveja e difamação aproveite, pois a beleza é uma faca de dois gumes, saiba usá-la rapaz. Ao contrário de Dorian Gray, no retrato seus olhos terão o mesmo ardor de hoje, porém você... Oh, pobre Omar, irá se reduzir a rugas e sua chama apagará. A beleza é efêmera. Corra, conquiste, encante enquanto há tempo. Independente do que digam arraste quantas castas damas puder para o inferno. Mesmo cercado de luxúria e vaidade o céu ainda há de ser seu, jovem do sorriso angelical.

(Luíza Gallagher)


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Carta de Amor

"É por vossa mercê que eu me ardo de amores!" 

Assim o cavalheiro apaixonado se declarou por carta à sua dama. Ela emocionada guardou com zelo em um lugar onde ninguém acharia aquela prova de um amor proibido. 
Uma jovem noviça apaixonada. Um pecado para a sociedade da época. O amor seria mesmo um pecado? Munido de uma pluma e belas palavras o galante rapaz se faz poeta e sua amada uma musa inspiradora. Correspondências trocadas e um belo sentimento, na época em que cartas de amor não eram apenas um clichê. 
Mais de 300 anos se passaram, mas o amor do cavalheiro continuou ali documentado. A carta sobreviveu ao tempo e sua declaração ao mundo foi revelada, emocionando uma geração que não mais no puro amor acreditava. 

(Luíza Gallagher)



quarta-feira, 24 de abril de 2013

Sophie III



Querido Adam,


Queria que você estivesse aqui. Essa falta que você faz está mais insuportável a cada dia. Óh, Adam! Faz pouco mais de um ano e meio que você me deixou e quando fecho os olhos ainda é sua presença ao meu lado que sinto.
A criança que tem os seus olhos não mais chora, alguém a silenciou. Agora as lágrimas que habitavam aqueles pequenos olhos habitam o meu peito já tão dilacerado. Como posso sofrer ainda mais? Acho que a Alice deveria ser minha salvação, deveria lutar por ela. Eu tento meu amor, juro que tento. Torna-se impossível lutar por alguém que me olha do mesmo jeito que você. Tenho medo daquele olhar, tenho medo do seu olhar.
Quando a noite cai fico aqui relembrando beijos e momentos de tempos em que te amar não era errado. Hoje dói pensar que já não estamos mais juntos, que seu coração não mais me pertence, e que seus beijos, meu amor, nunca mais terei... Quando o dia surge não existo mais, estou em pedaços pela falta que você me faz. Será que um dia ainda te encontrarei?

Sua Sophie (ou o que de mim ainda resta)



(Luíza Gallagher)

terça-feira, 16 de abril de 2013

Um Novo Anjo No Céu


Martin Richard


A tradicional maratona de Boston (EUA) é realizada anualmente, e acontece desde 1897, atraindo cerca de meio milhão de espectadores e cerca de 20 mil participantes a cada edição. Esse ano, na arquibancada estava Martin Richardum menino de 8 anos, torcendo pelo seu pai, Bill Richard, que estava disputando a prova.

Ao ver seu pai cruzando a linha de chegada, o menino correu feliz ao seu encontro e o abraçou apertado. Um abraço digno de uma criança, aquele abraço orgulhoso e alegre que carrega toda a jovialidade e a inocência de quem está apenas começando a viver.

Após isso, Martin retornou para junto de sua mãe e sua irmãzinha de 6 anos de idade que aguardavam na arquibancada. O pai estava animado com a prova e pensava em logo encontrar a esposa e os filhos para quem sabe comemorarem e se divertirem. Ele ouviu então um barulho forte, pessoas gritaram e se iniciou uma correria. Uma bomba. Mas como? Aflito o pai olhou em direção as arquibancadas e o medo tomou conta dele.

O relógio da maratona marcava 4 horas, 9 minutos e 43 segundos de prova quando tudo aconteceu. Duas explosões ocorreram perto da linha de chegada da maratona. Eram aproximadamente 14h50min (hora local) e uma tarde alegre se transformou em uma tragédia.

Bill Richard tentou ignorar a paralisia de medo que sentia e correu em direção onde sua família estava e viu o caos. Martin Richard, a criança de 8 anos, foi um dos que perderam a vida no ataque.

O menino que só começava a viver de forma trágica teve a vida interrompida. O abraço orgulhoso e alegre dado instantes antes em seu pai era também o último gesto de carinho. Bill não mais verá o doce sorriso de seu filho, nem sentirá aqueles braços infantis apertarem-se forte ao seu redor. Um pai desolado que terá como última lembrança de seu filho aqueles olhos brilhantes e aquele riso fácil que só as crianças possuem.

Além de Martin, outras duas pessoas morreram e mais de 140 se feriaram, algumas em estado grave, como a mãe e a irmã do menino. Segundo a emissora WHDH, filiada da NBC, as duas estão em estado grave no hospital.

O medo voltou ao cotidiano americano. O ataque desta segunda-feira (15/04) recolocou o clima de terror em uma nação ainda abalada pelo 11 de Setembro. A segurança foi reforçada em vários locais do país e as autoridades ainda investigam quem cometeu esse ataque e o que o motivou.

Bill Richard ainda abalado divulgou um comunicado por meio de um porta-voz, nesta terça-feira agradecendo o apoio que tem recebido e pedindo um pouco de paciência e privacidade enquanto a família procura forças para se recuperar do ocorrido.

Na calçada em frente a casa da família Richard em Dorchester (cidade próxima a Boston) a palavra “Peace” (Paz) foi escrita em memória do garoto alegre que ali vivia.


(Luíza Gallagher)


*O texto acima é uma homenagem feita In Memorian do garoto Martin Richard e apesar de ter base em um fato real possui elementos literários criados por mim, portanto fictícios. A reportagem original sobre o ocorrido encontra-se no site da Globo (http://extra.globo.com/noticias/mundo/boston-menino-de-8-anos-morto-em-explosoes-de-bombas-esperava-pai-terminar-maratona-8124144.html)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Era Uma Vez a Menina que Nunca Sonhou



Era uma vez uma menina que nunca foi de sonhar
Conformada estava com a realidade dura e vazia
Mas a vida, ah! A vida, sempre cheia de surpresas um dia a fez desejar
Sem querer de forma discreta um príncipe fez aparecer
A menina sem sonhos com ele passou a sonhar
Histórias de amor passou a ler
E se antes, bem antes ela duvidava de finais felizes
Agora o deseja mais que tudo.
Se a menina sem sonhos começou a sonhar
As pessoas sem amor podem aprender a amar.
Se acreditas que príncipes não existem, vê-se logo que nunca amou
Feche os olhos e acredite
Ele logo chegará, apenas fique atenta para o reconhecer.
A menina sonha todas as noites com o seu par
E a ele prometeu sempre amar.
Sonhos às vezes se tornam reais, não se pode deixar de acreditar.

(Luíza Gallagher)


Nova Fase


Me disseram para que eu levasse comigo só o que combinasse com a minha nova etapa de vida. Pois bem, estou deixando oficialmente para trás toda a mágoa, tristeza, raiva, decepção e dor que a tempos carrego. A partir de hoje, apenas terei a paz, amor, felicidade, leveza, sorrisos e abraços em minha bagagem. Que a negatividade fique distante e que a partir de hoje a alegria seja uma constante.” 

(Luíza Gallagher)

sábado, 13 de abril de 2013

Dia do Beijo




“Comigo é na base do beijo..”
Beijo é o início de tudo, é a conquista ou a perda. É onde se entrega, sem pensar, ou pensando em algo mais. Beijo é a vontade, é o desejo, é a atração ou talvez seja o amor. Um beijo com mil significados ou um significado para mil beijos. Beijos carinhosos, molhados, exóticos, quentes… Bocas que se combinam, coração que acelera, ritmo embalado, beijo que prende.
Um beijo roubado, assim de repente,  sem esperar. Um beijo de alguém que se ama. Um beijo de alguém que você não conhece. Um beijo de despedida, ou de reencontro. Um beijo inocente. Um beijo insinuativo. Um beijo…
A maneira mais antiga de demonstrar o que sente. O contato mais intimo e ao mesmo tempo mais inocente. Uma forma de calar, de continuar ou de apenas parar. O beijo inesperado em um dia triste, ou mesmo aquele por qual se esperou tanto tempo. Beijo… Ah! O beijo…  Desperta prazeres e desprazeres, silencia a raiva e a voz, faz-se engolir o que ia dizer, faz-se sentir todas as emoções. O beijo…
Enfim… Beijem-se muito, o tempo todo, de todas as maneiras.
Feliz dia do Beijo!
(Luíza Gallagher)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Sophie II



Querido Adam,


Aqui estou eu perdida na solidão na qual você me deixou. Me pergunto onde errei, qual foi minha falha, por quê você me deixou?
O frio toma conta de mim. Meu coração pulsa, mas o sangue parece congelar em minhas veias. A tempestade se aproxima ao longe, ouço os trovões. Já se faz um ano que você partiu, mas ainda dói.
A criança chora. Peço que a calem, por favor, façam-na calar! Minha mente está confusa, me pego olhando a pequena Alice e nela vejo um pouco de você. Aqueles olhos que tanto amo. Aquele jeito de olhar que tanto odeio. Oh Adam! Por quê me deixaste só com uma parte sua, mas que não é você?
Alice é linda, eu a amo, como não amar? Ela é um pedaço de você. Mas você partiu. Como não odiá-la? Ela me recorda você até quando tento esquecer. 
Por favor, façam-na parar de chorar!
As vezes acho que a loucura me espreita, mas no fundo é só a saudade.
Adam, você sempre foi parte do meu céu e hoje, sem você, vivo a parte do inferno que me restou. Vivo entre gritos e sussurros, entre choro e silêncio. Vivo aqui entre amor e ódio, entre lembranças e pesadelos.
Ainda me sento em frente ao mar e lembro das suas doces palavras. Lembro das promessas que não foram cumpridas. Lembro de seus lábios e de como tão fácil me entreguei a você, meu verdadeiro e único amor.
Por favor Adam, faça a criança parar de chorar! Faça-me parar de chorar! Adam, por favor!
Você não está mais aqui e agora não sei o que fazer e nem para onde ir.
O destino é cruel para quem ama, você um dia me disse. No fim, você sempre soube que partiria não é?
Toda a noite fecho os olhos e rezo baixinho para que nos reencontremos. Vivo a te esperar e sua falta já se faz insuportável. Por favor, não demore a voltar Adam.

Com imensa saudade, sua Sophie.

(Luíza Gallagher)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Sophie I


Querido Adam,

Essa noite sonhei com você (como todas as noites desde que você partiu). Porém dessa vez foi diferente, sonhei com você me dizendo que o seu tempo se esgotava e que nunca mais no veríamos. Acordei assustada, lágrimas cobriam o meu rosto e gritos eram abafados no fundo do meu peito, o sabor amargo de um adeus ardia em minha boca.
As vezes me pego pensando em você... Nos bons momentos que pareciam eternos. Seus abraços que me faziam sentir protegida, seu sorriso lindo e sincero, seu olhar que tudo queimava. Ah! O seu olhar!
Por quê você teve que partir? Hoje não me sinto mais segura, nem quente, nem tão pouco feliz. O sol não mais me aquece como antes, as pessoas não me interessam mais, hoje só resta o vazio que você deixou. Vago sozinha pelas ruas buscando um jeito de te reencontrar. Em momentos de desesperada saudade busco um pouco de ti em rostos desconhecidos nas ruas. 
Lembra das tardes que passávamos juntos olhando o mar? Até que em uma dessas tardes o tempo passou rápido de mais. O céu estava nublado, seu sorriso era vazio, ao longe uma tempestade se anunciava, sua mente vagava para longe imerso em uma silenciosa preocupação... O silêncio entre nós. Com seus flamejantes olhos você sussurrou para mim: "O que faria se esse fosse o nosso último momento?"
Até hoje não consegui pensar em uma resposta apropriada a tal pergunta. Tudo que consegui fazer naquele instante foi te abraçar firme como uma tola tentando em vão lutar contra o destino. Pedi para que nunca me deixasse sozinha e com um gentil sorriso você afagou meu rosto e ficamos assim abraçados pelo o que pareceu uma vida inteira. O tempo passou, 8 anos e cadê você?
Todas as tardes sento em frente ao mar, no mesmo lugar que ficávamos. Mantenho ainda a esperança de que algum dia você irá retornar e me abraçar de novo me dizendo que tudo não passou de um sonho ruim.
Após 8 anos com a sua ausência eu continuo aqui e prometo nunca te esquecer, ficarei esperando até o último dos meus dias e além dele. Quem sabe em uma outra vida eu ainda te reencontre?

Com amor, sua Sophie.

(Luíza Gallagher)

segunda-feira, 1 de abril de 2013

1º de Abril



Dia 1º de abril, o dia da mentira. Pegadinhas, brincadeiras, historinhas falsas... Dedicamos um dia em homenagem a um defeito grave que desde pequenos somos levados a crer que é algo ruim. Histórias como a do Pinocchio, o menino que contava mentiras sempre nos trouxe a lição de que é errado não contar a verdade. "Menino. não minta para sua mãe!" "Menina, é feio inventar histórias!" "Homens, parem de mentir e iludir as mulheres!" "Mulheres, sejam sinceras consigo mesmas!" Não vou me fazer de falsa moralista, afinal o que tem de mais um dia para se fazer singelas e inocentes brincadeiras? O que espero é que apenas hoje seja o dia da mentira. Que por todos os dias do ano sejamos honestos com o próximo e principalmente conosco. Que todas as mentiras se concentrem apenas nesse dia e que o resto do ano seja construído por verdades. Um dia para se contar mentiras e o resto da vida para se contar verdades.

(Luíza Gallagher)