quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O Rei



Ali, parado olhando além do horizonte ele é o rei.
Com sua pele curtida pelo forte sol, vestindo simples trapos, o rei esfarrapado.
Um sorriso desdentado ilumina sua face.
Os pés descalços na quente areia.
A humildade presente em seus gestos e a majestade se escondendo nas rugas da face.
Ele é o rei, o rei do lugar.
A maré vai subindo e o sol se pondo, as pessoas pouco a pouco se retiram, mas ali ele permanece soberano

Ele é o rei, o rei do milho, é o que diz sua camiseta puída. 


(Luíza Gallagher)

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Corre Pequeno



Corre pequeno, corre ligeiro.
Com seus pezinhos, rápido vai indo.
Passos incertos infantis,
equilíbrio vacilante.
Mesmo sem saber para onde, ele vai.
Corre pequeno.
Corre para que a maldade do mundo
nunca te alcance!

(Luíza Gallagher)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Anny e Elliot



Ao ver o vídeo Anny chorou, chorou até o fim de suas forças. Não podia ser verdade, não, ele não faria isso, ela sabia que não. Ela se culpava, por quê era sempre tão quieta e tímida? Talvez se ela tivesse tido coragem, talvez se ela falasse com ele... Anny amava Elliot.


(Luíza Gallagher)


*A história acima apesar de ter base em um fato real possui elementos literários criados por mim, portanto fictícios. 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Feliz Aniversário!






E lá estava ele parado, meio sem jeito, perdido em meio a tantos parabéns, votos de felicidades e toda essa coisa clichê dos aniversários. Logo ele que não liga para datas festivas, que tem a capacidade de esquecer, por vezes, do próprio aniversário.
Desejos de felicidades, de saúde, de coisas boas e na verdade o que ocorre é a passagem do tempo. Mais um ano completo... Mais um ano. A cada dia que passa está mais velho, ou "menos novo", como gosta de dizer.
Para trás há todo o caminho percorrido. Histórias, pessoas, lugares, toda uma vida. Pela frente há um enorme e desconhecido caminho que promete ainda mais histórias, risos e lágrimas. Mas hoje não, hoje ele apenas relembra todo o percurso que já fez. Agradece por cada amigo e entre risos lembra os bons momentos.
Coisas ficam para trás, sempre ficam. Porém há sempre coisas pela frente, hão de vir mais e mais alegrias!
Hoje é um dia especial, todo dia é. Mas hoje é o fim de um ciclo, o início de outro e cá estamos nós.
Como não posso deixar de cair no bom e velho clichê estou aqui para te dar os parabéns. Desejar-te felicidade, saúde, coisas boas e realizações de sonhos. Sabe como é... eu, tão óbvia, quero apenas mais uma vez dizer que te amo e que você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida.
Feliz aniversário Rodrigo!

sábado, 17 de maio de 2014

Fita Amarela e Gravata Vermelha



Ei, a gente precisa conversar.
Venha, sente aqui. Quer beber alguma coisa? Um café? Um suco? Tá, uma água. Perai, vou buscar. Calma, já volto. É rápido, fica.
Toma, sua água. É que eu estive pensando... Sabe, essa coisa no peito, isso dói.
Não, não é assim, Não me interrompe, deixa eu falar.
Às vezes o coração fica apertado e tudo que está lá dentro preso vai sendo jogado para fora e se eu não deixar essas coisas saírem aqui, agora, vou acabar sufocando e você sabe como é.
Não sei mais o que fazer. Você me confunde. Não, não é sobre você, ok? É sobre mim. O problema é que há muito de você em mim.
Não sei mais o que fazer. Acordo assustada, vez em quando nem durmo. Insônia? Não, não quero um remédio pra insônia, para, é sério.
Esse seu ir e vir me enlouquece. Esse querer e não querer. Não sei o que pensar. Nunca sei se devo deixar a porta aberta pra caso cê resolva vir, ou se fecho porque você não vem.
Sei se dá jeito disso funcionar não. Mas é complicado gostar de você. Não ri, é sério!
Eu sou simples, daquelas de pé descalço no chão e fita amarela no cabelo. Mas você... é daqueles que corre pro mar quando quer, que bota sapato chique e some pelo mundo. Que tem gravata vermelha pendurada na porta do armário. Você é do tipo que está pronto pra ir embora a qualquer segundo. E eu?
Você me leva? Verdade?
Mas eu sou bicho do mato, não tenho a fineza das moças de onde você vem. O que faria alguém como eu junto com alguém como você?
Amor? Mas minha fita amarela com sua gravata vermelha... daria um bom casal?
Nós? Tem certeza?
Claro que te amo. Só tenho medo de você partir.
Leva eu? Leva pra vida toda? Promete?
Então ta então. Te amo, viu?
Hoje vou fechar a porta, bem fechadinha. Hoje eu vou com você. Pra sempre.

(Luíza Gallagher)


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Rápido Demais

Ayrton Senna

Ontem completou 20 anos sem Ayrton Senna, uma tempestade de homenagens e declarações saudosistas lotaram o Brasil. Eu, sempre tão clichê, não poderia ficar de fora. Aqui, humildemente, seguem alguns rabiscos sobre Senna, um piloto que fez o Brasil vibrar.
Senna era rápido, muito rápido. Pilotava como ninguém, acelerava, dava voltas e voltas no autódromo, fazia o público ir a loucura. Em casa, famílias se reuniam, amigos se juntavam em torno da TV que mostraria mais uma corrida. Entre risos, pipoca e aplausos seguia a torcida, oras... Senna nasceu para ser campeão.
Sem dúvidas o maior atleta do Brasil, nossa, como era veloz! A câmera tentava seguir seus movimentos, o público via apenas um borrão ao vivo e aquele ronco do motor. Lá ia Senna. Fim de corrida, a bandeira quadriculada tremulava para ele, todos gritavam e pulavam. Lá ia Ayrton Senna para o pódio receber sua taça, ali do lugar mais alto, ele olhava a bandeira brasileira ser erguida ao som do hino nacional. Senna campeão.
Ayrton Senna do Brasil
Era mais um domingo, era mais uma corrida, era mais um dia de torcida. Lá estava Senna com um olhar duro, concentrado. Eram só algumas voltas, só mais um dia de trabalho. Lá foi ele, veloz como sempre. Nossa, mas como ele era rápido! Tanto era, que rápido ele partiu. Uma batida, ele se foi. A lágrima do torcedor que perde o herói, a lágrima de amigos, de familiares e de admiradores. A lágrima dos companheiros. Era dia 1 de maio de 1994. 
A velocidade levou seu amante. Senna se foi. Deixou um legado atrás de si que permanece até hoje. Um dos maiores ícones do automobilismo, um dos esportistas mais respeitados, um dos homens mais admirados. Unia todos em volta da TV num dia de domingo. E hoje já não está mais aqui. 
Senninha
Os domingos ficaram mais tristes, a TV mais sem graça e a Fórmula 1 não é mais a mesma para aqueles que outrora viram Ayrton em ação.
Eu? Era uma criança, tão jovem que mal entendia o que se passava. Lembro-me apenas do sorriso e da velocidade, e é claro, do Senninha, seu mascote eternizado.

Ayrton Senna era rápido, até demais, tão rápido que logo nos deixou, mas seu marco no esporte permanece. Reconhecido piloto que fez com que a bandeira do Brasil tremulasse em alta velocidade. Era tão veloz que a velocidade o levou. Os domingos nunca foram mais os mesmos, "Ayrton Senna do Brasil" foi o campeão que nasceu para ser.

(Luíza Gallagher)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sophie VI




Querido Adam,


O frio da sua ausência dilacera minha alma. Não como e nem durmo mais. Vejo você em todo lugar, será alucinação? No vazio do meu quarto seu riso ecoa pelas paredes. Escrever é o que me impede de enlouquecer.
A dor corrói minha mente, não quero mais viver.

Sua Sophie

(Luíza Gallagher)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Tristeza


Parece cocaína, mas é só tristeza ♪

O que é tristeza? O que é dor? O que é sentir?
Hoje o sol está pálido, as flores jazem murchas pelo jardim abandonado, uma lágrima pende dos olhos de uma criança. Isso é tristeza?
No cemitério um homem se despede de sua esposa, nunca mais sentirá seus lábios. No centro da cidade um menino perde seu boneco favorito, presente de um pai ausente. Uma mulher dá entrada no hospital, acaba de perder o filho de seu ventre. Tristeza?
Um vento frio sopra na alma, o coração apertado palpita no ritmo daquela velha canção a tanto esquecida. Os olhos enegrecidos de dor são o retrato da tristeza. As mãos trêmulas e gélidas, o sorriso forçado, o cabelo despenteado ao vento... Cada imagem revela uma dor diferente. Uma tristeza?
A despedida, a briga, a saudade, a melancolia, o sol de meio dia que não sessa o frio. Isso é tristeza.
O cotidiano, o banal, a vida que segue enquanto a dor permanece no peito. 
Triste saber que o mundo não para por causa do nosso sofrimento. Apesar de tudo, ainda chove lá fora, o botão de rosa ainda irá se abrir e as feridas ão de cicatrizar. 
A dor? Isso passa, afinal, é só tristeza!

(Luíza Gallagher)



* Texto baseado na notícia:

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Silencioso Desespero



Ar quente e escaço entra por suas narinas. Sua respiração fica cada vez mais espaçada. Dos olhos uma lágrima escorre, mas ninguém vê. Suas mãos estão presas, não há meio de calar o pranto que lhe aflige. Sua boca não emite sons. Algo o cala? Seriam feridas expostas de uma alma condenada? Ou será apenas o medo que o silencia?
Numa fração de segundos nossos olhos se cruzam através das lentes negras postas em ti. Meu sangue gelou. Senti seu medo. Uma súplica silenciosa me lançou em um relance. Seu silêncio foi como um grito abafado num fim de tarde de verão. 
Ali está você entre eles, grandes carrancas ameaçadoras no carro negro. E você, como um frágil pedaço de plástico suplicante. Uma sacola ao vento durante um tornado.
Um rápido vislumbre e o assombro. Pobre sacola solitária a me encarar. 
O carro preto desaparece ao virar uma esquina e apenas o seu grito silencioso por ajuda fica para trás.  

(Luíza Gallagher)