sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O Deserto Florescerá



O amor há de brotar no peito árido de quem vive como se não vivesse.
Os sonhos semearão na mente em desuso dos descrentes.
O sopro da vida voltará para aqueles que apenas existem.
A fantasia reinará sobre a realidade.
O mundo irá mudar.
As pessoas aprenderão a se amar.
A chuva fresca trará esperança.
O sol aquecerá a frieza dos sentimentos,
derreterá cada coração.
A boca reaprenderá a sorrir.
O olho voltará a brilhar.
O mundo irá melhorar.

Até o deserto florescerá.

(Luíza Gallagher)



quarta-feira, 28 de outubro de 2015

2 Segundos


É quando se está distraído que as grandes surpresas ocorrem. Um único ato feito num impulso, um mundo que se abre. Como dizem, bastam 2 segundos de profunda coragem.
Num acaso, num desatino, num passo errado, um novo destino.
Uma esquina dobrada sem pensar e suas infinitas possibilidades. Uma mensagem enviada para um número errado e se conhece o amor de toda a vida, por acaso. Uma compra feita sem querer revela inúmeros prazeres não programados. Uma passagem não planejada, agendada nos raros 2 segundos de coragem (e álcool), uma nova experiência, única.

Mapas, trilhas, GPS, planilhas... O bom mesmo é nos perdermos pelo caminho, só assim conseguimos, de fato, nos encontrar.

(Luíza Gallagher)


Sobre o Navegante e a Saudade



Somos navegantes,
Velejamos muitas vezes em águas profundas,
Buscamos descobrir os segredos dos sete mares.

As ondas nos puxam,
Num e ir e vir eterno.
Belas, complexas, assustadoras,
Uma nunca é igual a outra.

Como navegantes, somos chamados para alto mar,
Vem uma onda e nos arrasta.
Partimos.
É a hora,
o barco precisa zarpar, é a lei da vida.

Para quem fica em terra firme a despedida é cruel,
A dor atinge forte no peito.
Saudade...

A saudade dói,
Fere, angustia, desnorteia...
Mas a saudade é amor.
É lembrança dos momentos.
É fechar os olhos e ver o sorriso do filho,
Sentir o abraço,
Ver mais uma vez o brilho no olhar.

E por fim,
A saudade é aprender a dizer adeus.
Como um navegante
Ele partiu para outros mares.
Está longe, bem longe,
Mas ainda assim,
Está dentro do coração de quem o ama.

Ele está ali,
No sorriso dos irmãos,
No afago da mãe,
Nos olhos do pai,
Está na memória de quem ficou.
Ele, agora, é saudade.

(Luíza Gallagher)

terça-feira, 27 de outubro de 2015

O Tempo



O tempo...
Ao olhar no espelho ainda há uma menina lá,
perdida em algum lugar...

O tempo...
Desenhos animados, chocolate, confete, balão
sonhos multi coloridos cheios de emoção...

O tempo...
Trabalhar, limpar, fazer, arrumar
mulher séria sem mais tempo para brincar...

O tempo...
Dia corrido,
passa sem ser sentido

O tempo...
Em um piscar de olhos a menina cresceu

O tempo...

ainda há tempo?

(Luíza Gallagher)

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Anna em Fuga


Anna corre pelo campo. O capim alto emaranhando-se ao seu vestido. 
Corre menina, corre. 
Mesmo indo longe ela não consegue se livrar do vazio que sente. Senta a beira de um riacho e chora. Suas lágrimas se misturando à água límpida que corre para longe.
Corre para o mar.
“Não dá para fugir de si mesma”, pensa ela.
“Não há onde se esconder de seus fantasmas.”
Uma brisa fria seca o rosto da menina, que, agora esboça um suave sorriso.
“Então só resta lidar com o que somos”.

Anna levanta-se e volta para casa, não mais correndo, mas andando vagarosamente. “Se tenho que conviver com o que sou, o melhor é fazer isso lentamente. Correr não me afasta de mim, só me cansa mais”. 

(Luíza Gallagher)

sábado, 3 de outubro de 2015

Borboleteia-se



Ela é flor!
Alma colorida,
pura candura e perfume.

Ela é leve!
Tão leve quanto a brisa matinal
rodopiante no jardim.

Ela é luz!
Iluminada aurora
com sua graça angelical.

Ela é poesia
Verso e contra verso,
estrofe e rima.

Ela se transforma.
Poetiza-se
floreia-se
por fim
borboleteia-se
e voa...
livre, bela e imaculada,
ela voa...


(Luíza Gallagher)

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Asas Imaginárias



Ela queria voar.
Ir lá para o alto,
brincar nas nuvens
ir para todo o lugar
num bater de asas.

Disseram que era impossível.
“Ora essas,
humanos não voam”
Não pode ser.
Riram e fizeram piadas.
“Pare de sonhar”.

A menina não se importou
e na sua imaginação
asas criou
em seus sonhos
ela podia voar.

Lá está a menina alada
lá no alto
voando

em delírios imaginários.

(Luíza Gallagher)

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Anna e a Flor



Anna encontrou uma flor nascida em meio ao asfalto de uma ruela. Delicadas pétalas cor de rosa contrastando com o cinza da cidade. A menina sorriu e sentiu uma breve empatia para com a flor. Afinal, ela também é uma pequena criança num vestido cor de rosa contrastando com a imensidão da cidade. Flor de menina, menina de flor. Contra as intempéries, contra as improbabilidades, lá estão as duas em uma ruela qualquer. Dois pequenos pontos cor de rosa que trazem esperança numa cidade tão grande e sem cor.

(Luíza Gallagher)