segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Menino Azul



Menino azul
corre para o mar e sorri
(ele foi feito para sorrir)

Pula uma onda,
duas,
três...
Sua gargalhada enche o ar.

Menino azul feito céu
brinca, rola, nada,
joga bola e grita.

Menino azul
mora no mar
ri em ondas
com dentes de conchas.

Menino azul
num piscar de olhos
junta céu e mar,
some no horizonte,
ao longe fica o som
da sua risada contagiante.

(Luíza Gallagher)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Segredos



Segredos
não devem ser revelados
têm que permanecer secretos

Venha cá,
pois algo tenho a lhe falar,
mas cuidado
para ninguém você deverá contar.

Causador de curiosidades
destruidor de amizades
alvo de intrigas
e de muitas brigas.

Segredos devem ser guardados
e para ninguém contados
pois então,
segredos não mais serão.

(Luíza Gallagher - 21/11/2005)

Flora



Menina flor
feita de pétalas delicadas
e espinhos afiados,

Menina flor
sorriso contagiante
olhar penetrante.

Pequena Flora
doçura que consome
só podia mesmo
ter flor no nome.

(Luíza Gallagher)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Vem para o mar



Vem para o mar menina
mergulha tuas tristezas
deixa o sal grudar na pele
as ondas ão de levar os maus pensamentos.

Vem menina,
entra no mar
abraça essa saudade
deixa transbordar do peito
essa angústia.

Vem para a água menina
vem que ela lava
leva embora as mágoas
afoga os pesadelos.

Vem menina,
vem para o mar
é verão
é tempo de (a)mar.

(Luíza Gallagher)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Bia



Brinca sem parar
Indo e vindo do mar
Ainda aprendo contigo como é amar.

(Luíza Gallagher)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Anna e o Monstro



Anoitece.
Anna vai se deitar na cama, pronta para dormir. A menina apaga a luz e, no breu, um barulho, quase como um sussurro, é ouvido. Anna sorri e diz baixinho: "Boa noite monstro meu".
A criança aprendeu a conviver com seus monstros, não mais os teme, apenas os aceita e segue em frente.

(Luíza Gallagher)

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Claude



Eu, que já vivi tanto,
já vi  um pouco de tudo
já fui pra todo o canto
viajei por todo o mundo.

Eu que não olhava preços,
que colecionava amigos,
nunca sofri tropeços.

Agora quem diria,
tudo mudou
até conto moeda para a padaria.

Me olho no espelho
e não me reconheço
os cabelos esbranquecidos...
,,,pelo tempo
no rosto,
marcas do tempo...

O tempo...
sempre ele...
cruel, voraz
destruidor de sonhos, amores,
juventude...

Muitos amigos já se foram
hoje, apenas me restam lembranças.
Histórias contadas por um
velho solitário.

A pior parte de envelhecer,
é ver quem se ama morrer,


(Luíza Gallagher)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Incompleta



Há um pedaço de mim que a muito se perdeu
Há uma parte minha que foi rachando ao longo do tempo
Até que se desprendeu
Se soltou de vez.

Não sei por onde anda esse "outro eu"
Acho que o perdi para sempre
Como quem perde a tarraxa de um brinco
Ou o par da meia favorita.

Sou o que restou
O que ainda não se foi
O que permanece em mim

Aqui dentro trago um buraco
Uma cratera abandonada
O vazio do que um dia fui.


(Luíza Gallagher)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Volta



Diz que vai voltar,
fala que tudo foi um erro,
um impulso,
um desacerto.

Mente,
inventa uma desculpa,
diz que não é nada,
que vai passar,
que não é minha culpa.

Quando amanhecer
esteja na minha porta
com a mala desfeita,
com o mesmo sorriso cínico
e com a desculpa perfeita.

(Luíza Gallagher)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Relógio Quebrado



Cansada de correr e nunca chegar. Tal qual um relógio quebrado. Parada vendo a vida passar. E ela passa...

(Luíza Gallagher)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Você foi


Você foi a causa e a consequência
o meu erro e o meu acerto
a culpa e a desculpa
o desejo e o temor
o ódio e o amor
você foi


e nunca mais voltou.


(Luíza Gallagher)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Anna e os dias frios


Era uma manhã de inverno, dessas bem claras, mas que o sol não aquece. O céu estava de um azul enganador, uma brisa fria vinha da praia. Anna estava sentada sozinha em um banco olhando o mar. Usava um casaco grosso, luvas cor-de-rosa e um cachecol desajeitado pendia no pescoço. O rosto pálido dela ganhava leve coloração com o frio cortante que fazia. Era de dias assim que a menina gostava. Belos e frios, repletos de vazios, iguais a ela.

(Luíza Gallagher)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Lembrete para Izaura



O tempo passou,
mas é claro que passaria,
sempre passa,
corre,
atropela,
não se pode segurar o ponteiro do relógio por muito tempo.

A distância aumentou,
mas não o suficiente para nos afastar.
Nunca se separa totalmente quem se ama.
A ausência dói
lateja,
mas nós resistimos.

A vida mudou,
mas ela sempre muda,
nenhuma grande novidade nisso.
Às vezes ela é difícil,
mas quem disse que seria fácil?

Apesar dos pesares
apesar do tempo,
da distância,
da vida,
de tudo,
você estará para sempre aqui
dentro de mim ♥


(Luíza Gallagher)