quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sophie VI




Querido Adam,


O frio da sua ausência dilacera minha alma. Não como e nem durmo mais. Vejo você em todo lugar, será alucinação? No vazio do meu quarto seu riso ecoa pelas paredes. Escrever é o que me impede de enlouquecer.
A dor corrói minha mente, não quero mais viver.

Sua Sophie

(Luíza Gallagher)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Tristeza


Parece cocaína, mas é só tristeza ♪

O que é tristeza? O que é dor? O que é sentir?
Hoje o sol está pálido, as flores jazem murchas pelo jardim abandonado, uma lágrima pende dos olhos de uma criança. Isso é tristeza?
No cemitério um homem se despede de sua esposa, nunca mais sentirá seus lábios. No centro da cidade um menino perde seu boneco favorito, presente de um pai ausente. Uma mulher dá entrada no hospital, acaba de perder o filho de seu ventre. Tristeza?
Um vento frio sopra na alma, o coração apertado palpita no ritmo daquela velha canção a tanto esquecida. Os olhos enegrecidos de dor são o retrato da tristeza. As mãos trêmulas e gélidas, o sorriso forçado, o cabelo despenteado ao vento... Cada imagem revela uma dor diferente. Uma tristeza?
A despedida, a briga, a saudade, a melancolia, o sol de meio dia que não sessa o frio. Isso é tristeza.
O cotidiano, o banal, a vida que segue enquanto a dor permanece no peito. 
Triste saber que o mundo não para por causa do nosso sofrimento. Apesar de tudo, ainda chove lá fora, o botão de rosa ainda irá se abrir e as feridas ão de cicatrizar. 
A dor? Isso passa, afinal, é só tristeza!

(Luíza Gallagher)



* Texto baseado na notícia:

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Silencioso Desespero



Ar quente e escaço entra por suas narinas. Sua respiração fica cada vez mais espaçada. Dos olhos uma lágrima escorre, mas ninguém vê. Suas mãos estão presas, não há meio de calar o pranto que lhe aflige. Sua boca não emite sons. Algo o cala? Seriam feridas expostas de uma alma condenada? Ou será apenas o medo que o silencia?
Numa fração de segundos nossos olhos se cruzam através das lentes negras postas em ti. Meu sangue gelou. Senti seu medo. Uma súplica silenciosa me lançou em um relance. Seu silêncio foi como um grito abafado num fim de tarde de verão. 
Ali está você entre eles, grandes carrancas ameaçadoras no carro negro. E você, como um frágil pedaço de plástico suplicante. Uma sacola ao vento durante um tornado.
Um rápido vislumbre e o assombro. Pobre sacola solitária a me encarar. 
O carro preto desaparece ao virar uma esquina e apenas o seu grito silencioso por ajuda fica para trás.  

(Luíza Gallagher)