sábado, 17 de maio de 2014

Fita Amarela e Gravata Vermelha



Ei, a gente precisa conversar.
Venha, sente aqui. Quer beber alguma coisa? Um café? Um suco? Tá, uma água. Perai, vou buscar. Calma, já volto. É rápido, fica.
Toma, sua água. É que eu estive pensando... Sabe, essa coisa no peito, isso dói.
Não, não é assim, Não me interrompe, deixa eu falar.
Às vezes o coração fica apertado e tudo que está lá dentro preso vai sendo jogado para fora e se eu não deixar essas coisas saírem aqui, agora, vou acabar sufocando e você sabe como é.
Não sei mais o que fazer. Você me confunde. Não, não é sobre você, ok? É sobre mim. O problema é que há muito de você em mim.
Não sei mais o que fazer. Acordo assustada, vez em quando nem durmo. Insônia? Não, não quero um remédio pra insônia, para, é sério.
Esse seu ir e vir me enlouquece. Esse querer e não querer. Não sei o que pensar. Nunca sei se devo deixar a porta aberta pra caso cê resolva vir, ou se fecho porque você não vem.
Sei se dá jeito disso funcionar não. Mas é complicado gostar de você. Não ri, é sério!
Eu sou simples, daquelas de pé descalço no chão e fita amarela no cabelo. Mas você... é daqueles que corre pro mar quando quer, que bota sapato chique e some pelo mundo. Que tem gravata vermelha pendurada na porta do armário. Você é do tipo que está pronto pra ir embora a qualquer segundo. E eu?
Você me leva? Verdade?
Mas eu sou bicho do mato, não tenho a fineza das moças de onde você vem. O que faria alguém como eu junto com alguém como você?
Amor? Mas minha fita amarela com sua gravata vermelha... daria um bom casal?
Nós? Tem certeza?
Claro que te amo. Só tenho medo de você partir.
Leva eu? Leva pra vida toda? Promete?
Então ta então. Te amo, viu?
Hoje vou fechar a porta, bem fechadinha. Hoje eu vou com você. Pra sempre.

(Luíza Gallagher)


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Rápido Demais

Ayrton Senna

Ontem completou 20 anos sem Ayrton Senna, uma tempestade de homenagens e declarações saudosistas lotaram o Brasil. Eu, sempre tão clichê, não poderia ficar de fora. Aqui, humildemente, seguem alguns rabiscos sobre Senna, um piloto que fez o Brasil vibrar.
Senna era rápido, muito rápido. Pilotava como ninguém, acelerava, dava voltas e voltas no autódromo, fazia o público ir a loucura. Em casa, famílias se reuniam, amigos se juntavam em torno da TV que mostraria mais uma corrida. Entre risos, pipoca e aplausos seguia a torcida, oras... Senna nasceu para ser campeão.
Sem dúvidas o maior atleta do Brasil, nossa, como era veloz! A câmera tentava seguir seus movimentos, o público via apenas um borrão ao vivo e aquele ronco do motor. Lá ia Senna. Fim de corrida, a bandeira quadriculada tremulava para ele, todos gritavam e pulavam. Lá ia Ayrton Senna para o pódio receber sua taça, ali do lugar mais alto, ele olhava a bandeira brasileira ser erguida ao som do hino nacional. Senna campeão.
Ayrton Senna do Brasil
Era mais um domingo, era mais uma corrida, era mais um dia de torcida. Lá estava Senna com um olhar duro, concentrado. Eram só algumas voltas, só mais um dia de trabalho. Lá foi ele, veloz como sempre. Nossa, mas como ele era rápido! Tanto era, que rápido ele partiu. Uma batida, ele se foi. A lágrima do torcedor que perde o herói, a lágrima de amigos, de familiares e de admiradores. A lágrima dos companheiros. Era dia 1 de maio de 1994. 
A velocidade levou seu amante. Senna se foi. Deixou um legado atrás de si que permanece até hoje. Um dos maiores ícones do automobilismo, um dos esportistas mais respeitados, um dos homens mais admirados. Unia todos em volta da TV num dia de domingo. E hoje já não está mais aqui. 
Senninha
Os domingos ficaram mais tristes, a TV mais sem graça e a Fórmula 1 não é mais a mesma para aqueles que outrora viram Ayrton em ação.
Eu? Era uma criança, tão jovem que mal entendia o que se passava. Lembro-me apenas do sorriso e da velocidade, e é claro, do Senninha, seu mascote eternizado.

Ayrton Senna era rápido, até demais, tão rápido que logo nos deixou, mas seu marco no esporte permanece. Reconhecido piloto que fez com que a bandeira do Brasil tremulasse em alta velocidade. Era tão veloz que a velocidade o levou. Os domingos nunca foram mais os mesmos, "Ayrton Senna do Brasil" foi o campeão que nasceu para ser.

(Luíza Gallagher)