Mais um ano… E que ano…
Tantos altos e baixos (diria que não precisava de tantos
baixos). No geral não foi um mau ano. Mas foi um ano confuso, complicado e de
muitos aprendizados. Aprendi, quebrei muito a cara, conheci gente legal, conheci
gente não tão legal. Tive momentos incríveis e tive momentos péssimos. Antes de
mais nada preciso deixar claro que esse desabafo não é uma indireta para ninguém
e caso alguém se sinta ofendido facilmente, é melhor parar a leitura por aqui.
Esse é apenas um balanço das coisas que me aconteceram no último ano e as lições
que eu tirei de tudo isso. Sim, bem egocentricamente falando, é sobre mim.
Aprendi que o mundo não gosta de bonzinhos (eu sei que todos já falavam isso há
tempos, mas teimosa que sou, demorei a aceitar). Descobri que é necessário de
impor, cortar laços, cortar gentilezas e que a empatia pode ser encarada como
uma fraqueza, olha só! Me decepcionei com muita gente, me vi sozinha (quase
sozinha) muitas vezes. Mas aprendi a valorizar ainda mais os poucos que
seguraram a minha mão. Aprendi que nem sempre as amizades são equilibradas.
Aprendi que não adianta entender os outros e fazer de tudo para ajudá-los se no
fim, essas pessoas nunca buscaram te entender e te ajudar. Aprendi que as coisas
óbvias precisam ser verbalizadas. E que nem sempre estou disposta a
verbalizá-las. Aprendi que minha total aversão a conflitos só prejudica a mim
mesma. E que, quem grita mais alto, acaba sendo ouvido e acolhido, enquanto quem
silencia esperando a sua vez, morre entalado com o que não é dito. Vi mentirosos
sendo exaltados como heróis, vi gente despreparada sendo ovacionada, a
negligência sendo apoiada e a falta de esforço ser recompensada. Encontrei gente
ruim que se satisfaz em diminuir os outros, que grita e ofende para esconder o
seu despreparo e a sua insegurança. Gente que não se importa de prejudicar os
outros, que não se importa com o que é ou não certo e justo. Gente egoísta ao
ponto de reduzir todo o mundo ao próprio umbigo. Mas o mais triste foi perceber
que pessoas assim se dão bem. Talvez não para sempre, talvez em algum momento o
Universo equilibre as contas, mas por muito e muito tempo essas pessoas vencem,
e isso dói. Mas lembra que eu disse que o ano não foi de todo ruim? Pois bem.
Aprendi que por pior que o dia seja, um novo dia vai chegar e as coisas irão se
abrandar. Que mesmo não podendo contar com todos que gostaria, tenho pessoas que
estão lá para mim mesmo no meu pior momento. Que a terapia faz falta, mais do
que eu poderia imaginar. Que existe muita coisa boa no mundo. Que tem muito
lugar que quero conhecer e muito mais para aprender. Aprendi que mesmo quebrando
a cara, vale a pena acreditar e tentar, às vezes pode dar certo. Que a primavera
realmente é a minha estação preferida e que há de florescer por mais longo e
frio que tenha sido o inverno (figurativamente falando, já que moro no RJ).
Aprendi que por menor que a cidade seja, sempre vão ter novos lugares para
conhecer. E que por mais que doa, é preciso crescer. Me senti pequena por tempo
demais. Me senti insuficiente (e me sentirei mais vezes, é parte do que preciso
trabalhar na terapia). Senti raiva, tristeza e vazio. Mas também senti alegria,
gratidão, excitação e amor. Nem todo ano foi bom, mas as partes boas foram MUITO
boas. Assim como nem tudo em mim eu goste ou me orgulhe, mas ainda estou
buscando um equilíbrio entre não ser boazinha demais, mas não ser uma vaca sem
coração (perdão às vacas). Mais um ano pra conta e mais um ciclo iniciando.
Espero que com mais altos do que baixos e aprendizados não tão dolorosos dessa
vez. Espero conseguir superar obstáculos internos e externos e espero, dessa
vez, ver mais pessoas boas vencendo e crescendo. Ver pessoas dedicadas sendo
ovacionadas e ver o esforço e a bondade sendo reconhecidos. Vamos para mais um
ano?
(Luíza Gallagher)
É 27 de outubro novamente. Mais um ano se passou. Mudanças, desafios, alegrias e medos misturados. Menos um ano de jornada. Ontem eram 15 anos, agora já mais que o dobro. Num piscar de olhos o tempo voa. Voa leve como um balão, cada vez mais alto. Já não sou mais quem eu costumava ser. Por vezes não me reconheço no espelho. Nem sempre a mudança é suave e bonita como o desabrochar de uma flor (na maioria das vezes não é). Crescer, aprender, desaprender e reaprender. Dói. A cada ano novas cicatrizes se formam. Porém, mais memórias, aprendizados e sorrisos também. Não posso prometer grandes emoções ou nenhuma história épica. Mas agradeço cada um que escolher ficar para ver onde essa história vai parar. Ao soprar das velas, só quero desejar saúde e coragem para seguir. Que esse novo ciclo venha com tudo, pois a cada dia me sinto mais pronta (apesar dos pesares). Obrigada a cada um por cada insentivo, cada bronca, cada minuto que dedicou a mim de alguma forma. Hoje mudei, amanhã mudare...
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